This objective of this paper is to analyze and describe the way in which the effects of disciplinary power that crosses the pedagogical evaluation of mathematics textbooks constitute a list of knowledge that feeds back this productive field. In this search, we take Michel Foucault’s analysis of power as a parameter, more specifically the theories about disciplinary power. Inspired by the cartographic process, we produced the data from semi-structured interviews with former members of the National Textbook Program (PNLD), as well as with an editor who works in a large publishing group today. Data analysis allows us to describe the pedagogical evaluation of the PNLD as an important instrument for analysis, writing and validation of knowledge that is intended to be propagated, configuring itself in an examination of textbooks. .
ResuEst artigo tem por ojtivo analisar descrever o modo como efeitos dopoder disciplinar quarass avalação pedagógicaio ddáticomatemática costituem uo d sbersque retrlmentam esse co produtivoNesabusca oamos como râmetlticapodrdMiceFoucault, maisesecamen terizações sobreo poderdisciplinar.Com inspiraçãono processo cartográfico, poduzimos os dados a pa entrevistas semiestruturadas comex-integrantes doPrograma Nacionaldo Liv Didático), be como co eitor quata grande gruoedorialdaatualidadenálsedosdados os permite descrever aalção pedagógicado coo iortantetrumento e análs sca e validação e saberesqudesja, configurando se em um exame dos livros didáticos.
## I. INTRODUÇÃO
Embora tenha como foco o livro didático de matemática, o estudo ora proposto não tem por objetivo sua arqueologia, não visa percorrer as diferentes abordagens metodológicas ou conteúdos, nem mesmo analisar o impacto de ações e documentos oficiais sobre sua produção, como bem têm feito outros pesquisadores, como Schubring (2003), que apresenta uma história dos livros-textos de Matemática, destacando a interferência de fatores sociais em sua constituição, e Cassiano (2013) que relata como a articulação e influências recíprocas entre política e educação, revelam-se como estratégia de expansão de empresas espanholas do ramo livreiro em sua expansão para países da América latina e do caribe, de modo especial em solo brasileiro.
Diferentemente dos estudos citados, nossa pesquisa aproxima-se daquelas que analisam e descrevem o modo como o discurso pedagógico e econômico, sob a égide de neutralidade, vêm sendo endereçados nos livros didático de matemática. Interessa-nos a investigação dos valores morais que estes propagam, as relações de poder que se desenrolam no âmbito de sua produção, a condução das condutas dos sujeitose envolvidos eo modo como a governamentalidade neoliberal ocupa esses espaços e constitui sujeitos performáticos, empreendedores de si (Santos, 2019).
Por estas razões, mobilizamos neste artigo a seguinte questão: Quais efeitos de poder emergem da avaliação pedagógica do Programa Nacional de Livros didáticos (PNLD), sobre a produção dos livros de matemática? A partir desta questão, objetivamos analisar e descrever o modocomoefeitosdopoderdisciplinar que atravessa a avaliação pedagógica de livro didático de matemática, constitui um rol de saberes que retroalimentam esse campo produtivo.
Nesse contexto, tomamos o poder disciplinar como ferramentas para pensar a avaliação pedagógica do livro didático de Matemática, o modo como os efeitos de poder de dela derivam transita pelos fios e repercute em cada nó da rede produtiva, evidenciando efeitos de poder que não visam a retirada ou apropriação das forças do sujeito, mas, mais que isso: "(.....) tem como função maior "adestrar"; ou, sem dúvida, adestrar para retirar e se apropriar ainda mais e melhor." (FOUCAULT, 2011, p. 164).
## II. PErspECtiva TEÓRicO-MEtODolÓGiCa
Considerando que uma pesquisa não deve ser tomada como um experimento, mas como uma experimentação do pensamento, aberta às múltiplas possibilidades de compor no/com o processo (LARROSA, 2002), buscamos um afastamento de métodos catedráticos, onde cada etapa da pesquisa é previamente definida e aponta para o caminho certeiro, e optamos por praticar uma cartografia (KASTRUP, 2007), onde o caminho se faz ao caminhar.
Sob esta inspiração, a partir da realização de uma pesquisa mais ampla (SANTOS, 2019), selecionamos para este artigo enunciações produzidas a partir da realização de entrevistas semiestruturadas realizadas com três ex-integrantes do PNLD; João Bosco Pitombeira (Pitombeira), Marilena Bittar (Bittar) e José Luiz Magalhães (Magalhães), devido às longas trajetórias destes frente ao programa, ocupando cargos de coordenador de área, avaliadora/coordenadora adjunta, e avaliador respectivamente. Juntamos a estes, um editor que atua em um dos três grandes grupos editoriais que dominam o "[....] mercado editorial brasileiro na atualidade: Somos Educação, Santilhana e FTD, que juntos detêm $78\%$ dasvendas ao MEC no período de 20052017" (SANTOS; SILVA, 2019, p. 252).
Os dados foram produzidos em sua grande maioria, no ambiente escolhidos pelos referidos sujeitos, na sede do grupo editorial localizada na cidade de São Paulo capital (no caso do editor), e nas residências dos entrevistados na cidade de Campo Grande -
MS (no caso dos ex-integrantes do PNLD), com exceção da entrevista com Pitombeira que, diante da impossibilidadede agenda, ocorreu via Skype.
Cabe destacar que nas entrevistas, não buscamos acesso/resgate a uma memória esquecida. Não se trata de "(....) reencontrar uma fala primeira que aí estivesse enterrada, mas de inquietar as palavras que falamos." (FOUCAULT, 2010a, p. 412).
Uma vez concluídas e transcritas as entrevistas, realizamos a análise e descrição dos achados, apoiados no conceito de "fluxo do pensamento" (KASTRUP, 2007), onde a atenção do cartógrafo se compara ao voo de um pássaro em suas diferentes variações de velocidade, direção, altura, ângulos de visada, pousos e decolagens. O sobrevoo do cartógrafo é que definirá o foco de sua atenção. "Uma vez escolhido um lugar, o cartógrafo alterna pousos curtos ou longos, depois alça novos voos, visita outros lugares, aventura-se a diferentes encontros" (SANTOS, 2018, p.11).
A partir desse sobrevoo sobre os dados produzidos, selecionamos a temática e os sujeitos que mobilizamos nesse artigo.
## III. Mecanismo De Exame E a AvaliaçÃo De Livros Didáticos De Matemática
Ao d iscorrer sobre o poder disciplinar, Foucault (2011) apresenta-o como uma economia de poder, um sistema vigilante e disciplinador que substitui o desgastado poder soberano, outrora pautado no suplício, por outro mais econômico, em que a simples sensação de estar sendo vigiado doutrina o "delinquente", modifica seu comportamento e ajusta-o à prática desejada.
Tal poder é significativamente ampliado a partir dos mecanismos de exame, que permite não somente punir os comportamentos indesejáveis, como gratificar aqueles desejados, de modo a reforça-los, fazê-los perpetuar. Desta forma, "o sucesso do poder disciplinar se deve sem dúvida ao uso de instrumentos simples: o olhar hierárquico, a sanção normalizadora e sua combinação num procedimento que lhe é específico, o exame", definido por Foucault (2011, p.177) como:
(...) um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar e punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados. É por isso que, em todos os dispositivos de disciplina, o exame é altamente ritualizado. Nele vêm-se reunir a cerimônia do poder e a forma da experiência, a demonstração da força e o estabelecimento da verdade.
Desta forma, o exame marca um jogo constante e minucioso de objetivação do sujeito, configurando uma microeconomia de diferenciação que determina o seu lugar e seu "valor". Para tanto, não basta apenas a observação pelo olhar incidente, mas o registro, a materialização dessa observação que torna possível o acesso e reavaliação minuciosa dos dados.
É nesse aspecto que se faz imprescindível o exercício da escrita. Movimentos, gestos, práticas, comportamentos, discursos, tudo se torna objeto do olhar incisivo e especulativo do exame, transformando-os em dados, registros, fichas, tabelas, relatórios técnicos e boletins. Em outras palavras, o exame coloca em prática uma contabilidade penal que ritualiza a disciplina. No hospital, boletins médicos esquadrinham pacientes; nas fábricas, relatórios descrevem a "vida" dos funcionários; nas escolas, provas e boletins "medem" os alunos, tudo isso ao mesmo tempo que reserva ao médico, ao chefe ou ao mestre um saber novo (SANTOS, 2018, p. 17).
Cabe destacar que esse não é um processo espontâneo, mas, construído artesanalmente por discursos e relações de poder, onde cada lugar e sujeito é gradualmente transformado em uma peça dessa maquinaria, contexto onde movimentos muito bem calculados constroem as condições de possibilidade para o advento/expansão dos processos de avaliação que caracterizam/materializam toda uma escrita própria do exame, onde registros e estatísticas evidenciam o entrelaçamento entre saber-poder, de modo a subsidiar os arranjos que asseguram a perpetuação dos grandes grupos à frente da produção dos livros didáticos de Matemática.
## IV. Análise Dos Dados
Se considerarmos o contexto histórico da produção didática, veremos o modo como documentos oficiais (como o texto "Educação para Todos: caminho para a mudança", publicado em 1985, ou ainda "Recomendações para uma Política Pública de Livros Didáticos" de 2001) foram utilizados para criar/reforçar, oficializar uma verdade e, ao mesmo tempo, eliminar "[..] disposições contrárias à produção/expansão do livro didático como ativo econômico no mundo globalizado,evidenciando uma vontade de poder que abre espaço às grandes empresas multinacionais do ramo livreiro" (SANTOS; SILVA, 2018, p.18).
Contudo, nos pautaremos nessa parte do texto na análise e descrição das enunciações dos entrevistados, evidenciando o modo como a institucionalização ehierarquização dos saberes, a centralização de decisões e as normatizações dos processos de produção do livro didático de Matemática, caracterizam uma forma de exame.
Segundo Foucault (2011, p. 181) "[0] exame que coloca os indivíduos num campo de vigilância situa-osigualmente numa rede de anotações escritas; compromete-os em toda uma quantidade de documentos que os captam e os fixam." O filósofo exemplifica o modo como se dá o exame sobre os sujeitos no ambiente hospitalar, em que:
(..) O ritual da visita é uma de suas formas mais evidentes (....). A inspeção de antigamente, descontínua e rápida, se transforma em uma observação regular que coloca o doente em situação de exame quase perpétuo. Com duas consequências: na hierarquia interna, o médico, elemento até então exterior, começa a suplantar o pessoal religioso (...); quanto ao próprio hospital, que era antes de tudo um local de assistência, vai tornar-se local de formação e aperfeiçoamento científico: viravolta das relações de poder e constituição de um saber. O hospital bem "disciplinado" constituirá o local adequado da "disciplina" médica; esta poderá então perder seu caráter textual e encontrar suasreferências menos na tradição dos autores decisivos que num campo de objetos perpetuamente oferecidos ao exame (FOUCAULT, 2011, p.178).
De modo análogo, entendemos que a avaliação pedagógica dos livros didáticos de matemática, reúne elementos que a caracterizam como forma de exame, não somente pela sua periodicidade ou rigor, mas pelo modo como dispõe, organiza e distribuem os sujeitos no campo, todos a postos com seus deveres específicos de observar e converter tal observação em uma rede de escritas que constituirá um campo de saber sobre o livro, que assume a posição de objeto a ser examinado.
Ainda que não se trate diretamente do exame sobre o sujeito-autor, este não permanece ileso a tal avaliação, uma vez que o esquadrinhamento da obra que leva seu nome configura-se também em uma forma de qualifica-lo, determinando seu "valor", seu lugar nessa produção ou fora dela.
Nesse contexto, Bittar descreve o modo como o jogo de perguntas erespostas próprios do poder disciplinar, faz-se presente na avaliação de livros de matemática na atualidade: "(....) A ficha que a gente preenche, antes de preenche- la, ela já tem 17 páginas; então, é um processo (..). Na ficha vinha assim: quandoa gente está nos itens sobre atividades, pergunta: 'tem atividade de cálculo mental? ' (.....) E aí a gente analisa se tem, se não tem' (Bittar em entrevista concedida ao autor).
Essa dinâmica de avaliação que segue a risca o rigor dos editais, ganha expressão no olhar minucioso e inquiridor do avaliador que é posteriormente convertido em relatórios e pareceres que classificam os livros, determinando aqueles que seguirão no jogo (aprovados) ou que serão excluídos do processo (reprovados). Desta forma, a avaliação pedagógica caracteriza-se como um exame dos livros didáticos, à medida que sobre eles incide um "(....) olhar vigilante,disciplinador e normalizante que o diferencia, coloca em prática o mecanismo sanção- gratificação, que credencia à competição de mercado aqueles considerados aptos e pune os inaptos com a sua exclusão do programa" (SANTOS, 2018, p.19).
Nesta dinâmica, observa-se nos relatos o modo como as observações sobre o livro são convertidas em escrita:
(...) primeiro elas [as duplas de avaliadores] trabalham separadamente o material [livro], depois junta. O processo é todoassim, depois é feito um parecer de aprovação ou de exclusão. Oparecer de aprovação é o que tem lá, aprovação direta, ou aprovação com algumas coisas para corrigir (.....). Aí esse parecerde exclusão ele vai para o MEC chancelar e vai para as editoras,que elas têm lá o prazo de não sei quantos dias eles têm que entrar com recurso! (Bittar em entrevista concedida ao autor).
Esta tecnologia de escrita que converte o olhar vigilante em uma gama de escritas, como relatórios e pareceressobre o livro de matemática, constitui-se como um importante mecanismo de produção de saberes que, posteriormente, serão colocados novamente em movimento, fornecendo subsídios para que autores, editores, designers e todo o campo editorial reconsiderem suasestratégias de produção, reorganizem o caminho traçado. Em outras palavras, (re)ativados, esses repertórios de saberes subsidiarão as decisões dos grupos editoriais em prol da aprova ção de futuras coleções, conforme explicita Pitombeira:
(...) nós temos estatísticas completas, sabemos quais são os autores novos e as coleções apresentadas, e as coleções novas,algumas delas levam paulada da primeira vez, corrigem os problemas encontrados, e aí da vez seguinte conseguem ser aprovadas (...). É assim! E nos primeiros anos era muito pior, nasprimeiras avaliações. (Pitombeira em entrevista concedida ao autor).
Tal enunciação ressalta uma peculiaridade do exame no poder disciplinar, a capacidade de, não somente garantir a distribuição dos sujeitos no espaço a fim de promover a vigilância que dociliza os corpos, mas de fazer com que esse mesmo movimento constitua todo um rol de saberes que retroalimenta o campo onde circula.
Com efeito, é da presença dos avaliadores/examinadores neste estudo que vemos emergir outra particularidade própria do exame, a reversibilidade do olhar:
O exame inverte a economia da visibilidade no exercício do poder: tradicionalmente, o poder é o que se vê, se mostra, se manifesta e, de maneira paradoxal, encontra o princípio de sua força no movimento com o qual a exibe. Aqueles sobre o qual ele é exercido podem ficar esquecidos; só recebem luz daquela parte do poder que lhes é concedida, ou do reflexo que mostram um instante. O poder disciplinar, ao contrário, se exerce tornando-se invisível: em compensação impõe aos que submete um princípio de visibilidade obrigatória. (FOUCAULT, 2011, p. 179).
Ora, não é esta mesma inversão que vemos na avaliação do livro didático de Matemática? São as obras avaliadas que estão sob os holofotes e não os avaliadores. Estes são sujeitos anônimos no processo. Poderiam ser quaisquer outros. Isso pouco significaria na dinâmica do poder. Importam as obras. É sobre elas que pairam os olhares dos que avaliam. É sobre elas que tratarão os editais de aprovação/exclusão, os recursos impetrados pelaseditoras contestando a avaliação (e não o avaliador), as propagandas das empresas, os divulgadores, professores, coordenadores, etc.
Dessa forma, o exame estabelece um ritual que reúne a relação saber- poder a uma economia de verdades. Ao inquirir, esmiuçar, individualizar e constituir um campo de saber em torno do livro de Matemática, o exame produz e faz circular discursos que instituem o verdadeiro sobre sua produção, evidenciando o dito por Foucault (2016, p. 22), de que não é possível o "(.....) exercício do poder sem uma certa economia dos discursos de verdade que funcione dentro e a partir desta dupla exigência. Somos submetidos pelo poder à produção da verdade e só podemos exercê-lo através da produção da verdade".
Uma vez colocadas em jogo, essas verdades determinam o tipo de livro de matemática que é passível de ser produzido no contexto atual, conforme vemos nas enunciações: "(...) as editoras têm aquelas coleções que foram aprovadas muitas vezes e continuam sendo aprovadas; nessas que são aprovadas eles não mexem mais [..] eles não mexem mais, não vamos mexer para não dar zebra" (Pitombeira em entrevista concedida ao autor).
O falta de mudanças significativas das obras, estacionando-se em um'modelo equilibrado" após sucessivas submissões ao processo de avaliação/exame é destacada por Pedro ao afirmar que:
Os livros de hoje são muito melhores do que os livros de ontem. O que pode ter ocorrido é que muito texto pode estar maispasteurizado, porque você tem a fórmula. Qual é a fórmula de aprovação? Você tem que ter isso, isso e isso! É isso que o MECquer. É isso que o Brasil quer para os seus brasileirinhos, então tem uma fórmula lá [no edital do PNLD], querendo ou não, tem lá! (Pedro em entrevista concedida ao autor).
Ao recorrer à enunciação de Pedro, não estamos com isso defendendo que seja o PNLD o lugar do poder, a fonte que determina os saberes a seremcolocados em prática na produção de livros de matemática, argumento já contestado por Santos e Silva (2019), mas apenas destacando o modo como, em nível maior ou menor, o exame realizado pelo programa produz saberes que são considerados por autores, editores e toda uma rede produtiva. Exemplo disso vê- se no relato do próprio Pedro, ao destacar as mudanças/ajustes nos livros de matemática ao longo do tempo, de modo a tornar os livros atuais, melhores que o de outrora. O mesmo acrescenta ainda: "[..] a visão de livro mudou, a visão deum livro mais belo, mais artístico, mais bem acabado [.....], os professores batem o olho e se apaixonam, é a parte visual. Você vê, 'nossa que bonito!', mais as aberturas, essas ilustrações, ele se encanta" (Pedro em entrevista concedida ao autor).
Ainda nesse contexto, Magalhães sintetiza o processo onde os conhecimentos produzidos são reorganizados e dispostos novamente emcirculação na produção de novas obras: "(...) é assim, um olho no peixe o outro nogato. É um olho nos avaliadores e o outro na massa de professores que vão ter que trabalhar com aquele livro (....)" (Magalhães em entrevista concedida ao autor).
Magalhães complementa seus argumentos que, a nosso ver, reforçam oque estamos afirmando:
\[Editoras pensam assim\]: olha, nós não podemos fazer um livro muito, muito avançado, muito inovador, que faz tanto o professor quanto o aluno pensar muito (....); enfim, que obriga tanto alunos quanto professores a estudarem muito, (...) não adianta fazer muitodesse livro, porque ele não vai vender". E agradar bem aos avaliadores? É aquela história, ia ser sucesso de crítica e de avaliação, mas fracasso de venda! (Magalhães em entrevista concedida ao autor).
Nota-se desta forma que o exame sobre os livros de matemática induz o ajuste das obras ao contexto de um sistema vigilante, que articula diferentes discursos que atravessam o ambiente da produção didática. É o que podemos observar na fala de Pedro, ao afirmar: "(..) eu não tenho gosto quando eu edito, eu busco o melhor dentro daquilo que são as regras dojogo. Então, se o PNLD quer isso, normalmente é o ideal (...)" (Pedro em entrevista concedida ao autor).
Assim, o exame realizado pela avaliação atua como uma tecnologia de produção/ativação das relações saber-poder, por meio do qual editoras/editores, orientam e (re)ajustam suas obras, aproximando-as cada vez mais da normalidade, daquilo que está no âmbito do verdadeiro, criando um repertório de saberes que serão ampliados, (re)arranjados e disponibilizados novamente no campo livreiro a cada novo ciclo produtivo.
## V. CONSIDERAÇÕeS FINAIS
Ao considerar as relações de poder a partir de Michel Foucault, nos atentamos nesse artigo ao exame realizado no livro didático por meio da avaliação pedagógica do PNLD. Apoiados nas enunciações de editores e ex-avaliadores do PNLD, descrevemos nesse processo o modo como observações periódicas são convertidas em anotações que capturam e fixam o livro didático de matemática, tornando suas nuances e diferenciações mais acessíveis, facilmente legíveis. Assim, o olhar vigilante transforma observações em fichas, relatórios, pareceres, estatísticas e toda uma ordem de escrita.
Decorre desse processo a normalização do livro didático de Matemática que se ajusta ao discurso em vigor que determinando o que pode e o que não pode ser nele impresso, quem são os sujeitos autorizados a falar e quais são as regras válidas para sua produção. Enfim, reafirmam- se os efeitos do poder disciplinar sobre esta produção, processo em que ganha destaque o mecanismo sanção-gratificação explicitado por Foucault (2011), no qual se gratifica a conduta que se quer reforçar, por exemplo, a produção do livro "normal", aprovando-o no PNLD, e pune-se aquela que se afasta desta "normalidade", reprovando a obra.
Tal processo implica, portanto, um jogo de produção do verdadeiro e do falso que leva ao "sucesso" ou "fracasso" na avaliação/exame, visto que "[o]u a verdade fornece a força, ou a verdade desequilibra, acentua as dissimetrias e finalmente faz a vitória pender mais para um lado do que para o outro: a verdade é mais uma força, assim como ela só se manifesta nas relações de força." (FOUCAULT, 2010b, p. 45).
Cabe ainda ressaltar que ao considerar e (re)ativar em produções futuras os saberes produzidos no exame dos livros didáticos de matemática, gruposeditoriais asseguram não somente a capacidade de produzir um livro adequado às normas, logo, passível de aprovação, mas também alinhado aos anseios do mercado consumidor, bem como, de moldar/selecionar sujeitos mais aptos a essa produção.
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How to Cite This Article
José Wilson dos Santos. 2026. \u201cBrazilian National Textbook Program: The Pedagogical Assessment of Mathematics Textbooks as Exam Technology\u201d. Global Journal of Science Frontier Research - F: Mathematics & Decision GJSFR-F Volume 22 (GJSFR Volume 22 Issue F3).
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