Caracterizacao Interseccional das Politicas Publicas de Protecao as Mulheres em Belem, de 2017 a 2022

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Abstract

Importância do estudo: A interseccionalidade é uma abordagem essencial para compreender a complexidade das experiências das mulheres e a multiplicidade de opressões que podem enfrentam. No contexto de Belém, uma das cidades mais populosas da Amazônia Brasileira, esta compreensão é particularmente relevante para abordar a violência contra as mulheres de maneira eficaz e inclusiva. Gênero, Raça, etnia, classe socioeconômica, sexualidade, idade, condições de saúde são interseções que devem fundamentar a elaboração, a implementação e a fiscalização de políticas de proteção inclusivas, de acesso a serviços de apoio, de educação e sensibilização, de fortalecimento das redes de apoio, de dados e pesquisas. Abordar a violência contra as mulheres em Belém requer uma abordagem interseccional que reconheça e responda às múltiplas formas de opressão que afetam diferentes grupos de mulheres nesta cidade da Amazônia.

Objetivo: Caracterizar o panorama interseccional das políticas públicas de proteção às mulheres em Belém. Materiais e métodos: Este artigo possui caráter quantitativo, exploratório e descritivo, com pesquisa do tipo aplicada, documental e bibliográfica, elaborado a partir da coleta de dados secundários de órgãos que empregam políticas públicas de proteção às mulheres em situação de violência interseccional em Belém, no período de 2017 a 2022.

Resultados e discussões: Quanto à aplicação das medidas protetivas de urgência para proteção de vítimas de violência doméstica e familiar, foram obtidos 32.621 casos, dos quais, em 7.927, houve determinação judicial para afastamento do agressor do lar conjugal ou parental. 48,72% dessas mulheres relataram que sofreram algum tipo de ameaça e 18,58% dela relataram que sofreram lesão corporal. Em 58% dos casos de violência doméstica, a violência foi reiterada pelo agressor, porém houve prisão em apenas 5,64% dos registros. 33,62% das vítimas declararam que não possuem renda. O bairro Guamá liderou o ranking de casos de violência doméstica contra a mulher de 2017 a 2021, sendo que o bairro Jurunas liderou no ano de 2022. Sobre o combate aos crimes raciais, verificou-se que as mulheres corresponderam a 63% do total de registros de crimes de injúria racial e de 69% para o crime de racismo. Dentre os casos com causa relatada, 20% corresponderam presunção de ódio ou vingança. Em relação à aplicação do Programa Patrulha Maria da Penha, em Belém, houve o atendimento de 2.517 mulheres vítimas de algum de tipo de violência, no período de 2020 a 2023. Em 14,58% desses processos, os agressores foram presos. 86% das vítimas atendidas possuíam filhos. No abrigo Municipal Emanuelle Rendeiro Diniz, 70% das usuárias declararam ser evangélicas, 59% se de cor preta, 33% da cor parda e, dentre todas as usuárias, 54% relataram que foram forçadas a manter relações sexuais. Na Casa Abrigo do Estado do Pará, que funciona em Belém, 36% das vítimas abrigadas não concluíram o ensino fundamental, 67% declararam que não possuem trabalho remunerado.

Conclusões: Este estudo revelou que as políticas de proteção aplicadas em Belém não foram elaboradas e implementadas a partir da necessidade de se garantir a interseccionalidade às mulheres. Apesar dos números apontarem avanço na proteção às mulheres, essas políticas não estão apropriadas para garantir o direito à interseccionalidade às mulheres, ou que a proteção a todas as formas de violência ainda não é uma prioridade, uma vez que essas políticas ainda atendem isoladamente ou parcialmente, significando que elas não abordam de maneira ampla e integrada as diferentes formas de discriminação e opressão. Essas mulheres são afetadas por uma gama de identidades, incluindo raça, etnia, classe social, idade, orientação sexual, identidade de gênero e habilidades físicas e mentais. Para abordar essa lacuna, é crucial promover espaços de debate sobre a interseccionalidade, especialmente em relação à formulação, implementação e fiscalização das políticas públicas de proteção às mulheres. A falta de integração efetiva dos dados, em Belém, sugere limitações específicas, resultando em um reconhecimento insuficiente da interseccionalidade no combate à violência contra a mulher.

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Funding

No external funding was declared for this work.

Conflict of Interest

The authors declare no conflict of interest.

Ethical Approval

No ethics committee approval was required for this article type.

Data Availability

Not applicable for this article.

How to Cite This Article

Welligton Sousa Pedroso, Silvia dos Santos de Almeida. 2026. "Caracterizacao Interseccional das Politicas Publicas de Protecao as Mulheres em Belem, de 2017 a 2022". Global Journal of Human-Social Science, Global Journal of Human-Social Science - C: Sociology & Culture GJHSS-C Volume 26 (N/A).

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Journal Specifications

Crossref Journal DOI 10.17406/GJHSS

Print ISSN 0975-587X

e-ISSN 2249-460X

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Classification
160801
Version of record

v1.2

Language
Portuguese
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Welligton Pedroso
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