Diabetes Mellitus (DM) is a syndrome characterized by persistent hyperglycemia due to the lack of insulin or the incapacity of exerting its metabolic effects. Along with hyperthyroidism, it is one of the most common endocrine diseases in felines, with obese cats having 3.9 x more chance of developing DM comparing to a cat in an ideal body condition score. This report describes the case of a feline, female, 5-year-old, spayed, mixed breed, with a history of obesity (prior body condition score 8/9), presenting weight loss and polyphagy. The history of previous obesity associated with the clinical manifestations suggested the possibility of DM, which was confirmed due to hyperglycemia, glycosuria and the increase of fructosamine values. It was instituted therapy using insulin Glargine, supporting diet for obesity and environmental enrichment, with remission of DM.
## I. INTRODUÇÃO
Diabetes Mellitus (DM) é uma condição aonde ocorre diminuição da secreçãode insulina pelas células beta pancreáticas, redução da sensibilidade da insulina nos tecidos, ou seja, resistência insulínica, ou ambas as situações. (JANUÁRIO, 2021) Junto com o hipertireoidismo, é uma
Author α: Medica veterinária autônoma, aluna da especialização em endocrinologia e metabologia veterinária daAnclivepa-SP.
Author σ: Dra., professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Caxias do Sul.
das doenças endócrinas mais comuns em felinos. Sabe-se que a maioria dos felinos diagnosticados são mais velhos, apresentando, em média, 10 anos de idade. Os machos estatisticamente são mais acometidos do que as fêmeas (SENE, 2020) e, de acordo com Januário, (2021) gatos obesos apresentam 3.9 vezes mais chance de desenvolver DM do que um gato em escore de condição corporal ideal.
Na maioria dos felinos a doença se assemelha ao DM tipo 2, sendo causada por resistência a ação da insulina. Sedentarismo, obesidade e depósito de substância amiloide nas ilhotas pancreáticas são as principais causas de resistência insulínica em gatos. (COUTO, 2003).
As manifestações clinicas mais comuns são poliúria, polidipsia, polifagia e percade peso. (MooNEY; PETERSON, 2015). Cerca de $10\%$ dos felinos podem apresentar sintomas de neuropatia diabética, percebidos por limitação na capacidade de saltar, fraqueza dos membros posteriores e postura plantígrada (VAROLI, 2021)
O diagnóstico é obtido através da realização de uma anamnese minuciosa associado a presença de manifestações clinicas, hiperglicemia persistente e glicosúria. Para ocorrer glicosúria, a glicemia deve ultrapassar o limiar de reabsorção renal de glicose, que na espécie felina, é em torno de 250 a 300 mg/dL. (JANUARIO, 2021). Como forma de diferenciar a hiperglicemia por estresse da hiperglicemia por DM, pode-se realizar a dosagem da frutosamina, que são proteínas glicadas formadas através da ligação da glicose com as proteínas circulantes, correspondendo então a avaliação glicêmica sanguínea de aproximadamente 1 a 2 semanas em felinos. (NUNES, 2014).
A terapia consiste em administração de insulina, dieta adequada com baixos índices de carboidratos, perca de peso para os obesos e exercício físico (MOONEY; PETERSON, 2015). Os objetivos do tratamento são: remissão da DM, controle dos sintomas, melhora da qualidade de vida, prevenção de hipoglicemia e complicações como cetoacidose diabética (JANUARIO, 2021).
A remissão diabética, definida como capacidade de o felino previamente diabético conseguir manter a normoglicemia sem a necessidade de aplicação de insulina, pode ocorrer em casos aonde ainda há células beta pancreáticas funcionais, sendo dependente de três fatores importantes: início precoce e apropriado da terapia insulínica, monitoramento frequente e ajustes adequados de dose da insulina e fornecimento de dietaadequada. A taxa de remissão em gatos que iniciaram o tratamento adequado dentro de 6 meses a partir do diagnóstico foi de $84\%$ (JERICÓ et al, 2015).
## II. Relato De Caso
Foi atendida em um consultório veterinário particular, em Bento Goncalves, no estado do Rio Grande do Sul, uma felina, fêmea, castrada, de 5 anos de idade, com queixa de perca de pesohá cerca de 3 meses, porém com acentuação nos últimos 30 dias. A felina pesava 08kg e no dia do atendimento estava com 5,5 kg, uma perca de 2,5 kg. Os tutores referiam polifagia, porém quando questionados sobre poliúria e polidipsia, negaram. A paciente se alimentava exclusivamente de ração seca comercial super premium, livre oferta, inclusive de madrugada.
Ao exame físico o escore de condição corporal (ECC) era 6/9, escore de massa muscular (EMM) era 2/3, sem alteração em ausculta cardiorrespiratória, pressão arterial realizada no consultório através do método Doppler, manguito número 2, 220 mmHG, porém, realizada novaaferição, a domicilio, utilizando o mesmo método, tendo como resultado 130 mmHg, comprovando hipertensão por estresse no consultório.
Diante do histórico de obesidade e perca de peso mesmo sem mudanças no manejo dietético, suspeitou-se de Diabetes Mellitus (DM). Solicitado então exames complementares para comprovação do diagnostico, como exame de urina, hemograma, ultrassom abdominal, dosagem sérica de: frutosamina, triglicerídeos, colesterol total, fosfatase alcalina (FA), alaninaaminotransferase (ALT), ureia, creatinina, gamaglutamiltransferase (GGT) e albumina. Teve como alterações um leve aumento na atividade da FA (117,9- VR: 4-80 U/L), ALT (99,0- VR: 6-80 U/L), glicemia (560- VR:60-120 mg/dL), sem alterações nos demais parâmetros. Na urinalise a densidade estava 1,025 (VR: 1,035-1,060), presença de três cruzes de glicose (VR: negativo), sem demais alterações. A frutosamina teve como resultado $800,00 \ \mu \mathrm { m o l / L }$ (VR: Gato normal não diabético 190-365 μmol/L). Na ultrassonografia abdominal a única alteração visualizada foi uma hepatomegalia moderada com contornos regulares, parênquima hiperecogênico homogêneo, sugestivo de infiltração gordurosa/hepatopatia vacuolar. Hemograma sem alterações dignas de nota.
Diante dos resultados dos exames complementares e da clínica da paciente foi possível fechar o diagnóstico de DM. O tratamento instituído foi baseado em dieta, exercícios e insulinoterapia.
A dieta instituída foi com ração comercial especifica para perca de peso (Satiety felinos - Royal Canin), 60 gramas divididos em 4 a 6 refeições diárias. Utilizar bolinha porta petiscos com a finalidade de estimular a caca ao alimento, realizar brincadeiras pelo menos 2 vezes ao dia. Insulina glargina (caneta, 100 UI/ML) 1 unidade pela via subcutânea a cada 12 horas. Foi colocado o sensor Libre, e após 7 dias de insulinoterapia, foi ajustada a dose para 2 unidades a cada 12 horas. O sensor apresentou erro de leitura com 7 dias de funcionamento e o tutor optou por não colocar outro imediatamente. Após 15 dias do último ajuste, realizada uma curva glicêmica aonde os valores do Nadir estavam ainda acima de 200, a paciente ganhou peso, estava com 6,3 kg pois os tutores trocaram a ração para um produto comercial super premium para felinos castrados. Foi então solicitado a retomada da dieta prescrita anteriormente e prescrito 3 unidades de insulina a cada 12 horas.
Solicitado retorno em 15 dias, tutores retornaram em 30 dias do último ajuste para nova curva glicêmica. A primeira aferição da manhã, 03 horas após aplicação da insulina, estava em 46, dessa forma, foi solicitado a colocação novamente do sensor libre para monitoração constantedas glicemias. A paciente estava com 6,1 kg, havendo perdido 200 gramas desde a retomada da dieta.
Após esse dia, foi realizada a monitoração das glicemias via sensor Libre, sendo que todasas glicemias ficaram abaixo de 120 mg/dL, não sendo mais necessário realizar as aplicações de insulina. A monitoração foi feita por 30 dias. Mensalmente a paciente retorna para avaliação clínica e principalmente controle de peso. Já se passaram 4 meses da remissão, a paciente segue na dieta de manutenção pois atingiu o peso meta $( 5 \kappa \rho )$ e segue assintomática.
## III. DiSCUSsÃo
A paciente estava dentro do grupo de risco para desenvolvimento de DM, visto que era obesa, e a obesidade em felinos está descrita como uma das principais causas de resistência insulínica. (JANUARIO, 2021; COUTO, 2003) A literatura cita que gatos machos são mais acometidos que as fêmeas, os idosos mais acometidos que os jovens e os castrados apresentam mais chance de desenvolver DM (JERICO et al, 2015). No caso em questão a paciente era fêmea, jovem e castrada.
De acordo com Januário (2021), os sinais clínicos clássicos são poliuria polidipsia, polifagia e perca de peso. No caso relatado o tutor referia apenas perca de peso e polifagia, porém possivelmente apenas não havia percebido a poliúria e polidipsia, visto que, após terapia refere que estava tomando menos água e urinando menos em comparação com o início do tratamento.
Ao exame físico a maioria dos pacientes diabéticos recém diagnosticados realmente não tem alterações significativas, a não ser que já estejam diabéticos há um tempo, podendo apresentar baixo escore de condição corporal, neuropatia diabética, atrofia muscular, ou em casos mais graves, podem desenvolver cetoacidose diabética (CAD) e cursar com manifestações clinicas de inapetência, vomito e/ou diarreia. (COUTO, 2003.)
Em relação aos exames complementares, é esperado aumento de atividade de ALT E FA devido a hepatopatia vacuolar predisposta pela endocrinopatia. Também se espera glicosuria, diminuição da densidade urinaria, que pode estar mais baixa do que apresenta devido a presença de glicose na urina, e também pode apresentar cetonúria em caso de CAD. Pode ocorrer piúria, hematúria e detecção de infecção urinaria pela cultura urinaria. O ultrassom abdominal e útil para investigar pancreatite, associado a realização da lipase pancreática especifica (SPEC), pois podem desenvolver pancreatite aguda. No hemograma, podem apresentar anemia leve ou policitemia devido a desidratação e a presença de leucograma de estresse é variável. (JANUARIO, 2021; COUTO,2003; JERICO; MOONEY; PETERsON, 2015) A paciente em questão não teve alteração no hemograma.Hipertrigliceridemia e hipercolesterolemia também podem ocorrer, não evidenciados na paciente em questão.
O diagnóstico de DM em felinos e feito através da associação das manifestaçõesclinicas, presença de glicosuria, presença de hiperglicemia e elevação do nível sérico de frutosamina, pois os felinos podem fazer hiperglicemia e glicosuria puramente por estresse, caso ultrapasse o limiar de absorção renal (250 - 300 mg/dL). (JANUARIO, 2021) O estresse induz hiperglicemia devido a liberação de catecolaminas e neoglicogenese hepática. (TRINDADE et al, 2022).
O tratamento com insulina é sempre preconizado em felinos, utilizando-se insulinas de longa ação como a glargina, que provoca pico de ação menos pronunciado nos felinos, evitando a hipoglicemia. A dose que a literatura cita é de 1 a 2 unidade internacionais (UI) por gato (APTEKMANN et al, 2011, FERRI, 2022; MASSITEL et al, 2020), sendo utilizada 1 Ul na paciente em questão. Outro ponto chave do tratamento é a dieta, visto que se faz necessário retirar a causa da resistência insulínica, nesse caso, a obesidade. Ademais é importante utilizar uma dieta com baixos índices de carboidratos, gorduras e com altas concentrações de proteínas e fibras para obter mais saciedade e melhor controle glicêmico. (MASSITEL et al, 2020). De acordo com Popp (2019), as dietas úmidas são melhores do que a seca para a finalidade de diminuir níveis de carboidratos e promover melhor controle glicêmico aumentando a taxa de remissão, porém a paciente do relato não estava acostumada com esse tipo de alimento e não aceitava.
Dessa forma, foi iniciado o manejo dietético com a ração seca comercial para perca de peso com baixos níveis de carboidratos e maior aporte proteico promovendo ganho de massa magra. Os felinos não desenvolvem pico hiperglicêmico considerável pósprandial, por isso, podem se alimentar mais vezes ao dia, desde que respeitada a quantidade de ingestão calórica diária. (NUNES, 2014) O exercício físico promove a translocação dos transportadores de glicose (GLUT-4) em células musculares, melhorando a captação de glicose pelas células e consequentemente reduzindo a glicemia.(JERICÓ et al, 2015).
## IV. CONCLUSÃO
Possível perceber que o diagnóstico precoce da doença, a instituição da terapia correta juntamente com a dieta e a dedicação dos tutores é fundamental para que se consiga atingir a remissão da DM em felinos. Além disso, importante lembrar que a remissão diabética não significa a cura da doença, sendo necessário avaliações periódicase manutenção da dieta para que o felino não volte a ganhar peso.
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References
14 Cites in Article
K Aptekmann,U Guberman,W Suhett (2011). Insulinoterapia e dieta notratamento de felinos diabéticos-revisão de literatura.
Denise Bobany (2022). Diabetes Mellitus em Felino-Relato de Caso.
Nelson Couto (2003). Anais do Congresso Nordestino de Medicina Interna de Pequenos Animais.
Amanda Ferri Diabetes felina: relato de caso.
Cássia Freitas (2016). Terapia da Diabetes melittus felina e remissão do estado diabético.35f. UFRGS.
Eric Januario (2020). Endocrinologia de Cães e Gatos.
Lívia Fernandes (2015). Gerenciamento e uso de antimicrobianos na medicina de cães e gatos.
Isabela Massitel (2020). A terapêutica do felino diabético: revisão.
T Mooney,; Carmel,Peterson E Mark (2015). Manual de endocrinologia em cães e gatos.4a edição.
Nilson Nunes (2014). Diabetes Melittus felina: ênfase em métodos de diagnóstico. 2014. 59f.
Priscila Popp (2019). Diabete melito em gato: revisão de literatura. 41f.UFSC. Curitibanos.
Marcela Inafuku,Gilmar Lucas,Maria Cerri,Carlos Junior,Jean Cavaleiro (2020). ABORDAGEM EXTRACURRICULAR E PROJETO COLABORATIVO: APLICAÇÃO DE METODOLOGIA ATIVA NO CURSO TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO À DISTÂNCIA.
Trindade (2022). Estresse em gatos: revisão.
Camila Varoli (2021). Diabetes Mellitus em felino.2021. 19f.
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Data Availability
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How to Cite This Article
Bruna Invernizzi Zauza. 2026. \u201cDiabetic Remission in a Mixed Breed Feline – Report of Case\u201d. Global Journal of Medical Research - G: Veterinary Science & Medicine GJMR-G Volume 23 (GJMR Volume 23 Issue G2): .
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Diabetes Mellitus (DM) is a syndrome characterized by persistent hyperglycemia due to the lack of insulin or the incapacity of exerting its metabolic effects. Along with hyperthyroidism, it is one of the most common endocrine diseases in felines, with obese cats having 3.9 x more chance of developing DM comparing to a cat in an ideal body condition score. This report describes the case of a feline, female, 5-year-old, spayed, mixed breed, with a history of obesity (prior body condition score 8/9), presenting weight loss and polyphagy. The history of previous obesity associated with the clinical manifestations suggested the possibility of DM, which was confirmed due to hyperglycemia, glycosuria and the increase of fructosamine values. It was instituted therapy using insulin Glargine, supporting diet for obesity and environmental enrichment, with remission of DM.
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