From the analysis of GEM data, in relation to the Portugal-Spain border space, more specifically Alentejo-Extremadura, we tried to assess whether the development of entrepreneurial activities was affected by its territorial context. This being one of the least developed borders in the whole European Union (EU) and a problem for territorial cohesion, leading to the definition of policies and lines of support for its development, we try to understand whether entrepreneurship, a major factor in the development of the territory, followed the position of the respective countries or if there is a divergent performance. Entrepreneurship, increasingly pointed out as a means of enhancing the development of regions, either through job creation or through innovation, allows the inversion of the vicious cycle of low-density territories. The study of entrepreneurship in these regions, important for the perception of the relevant variables of this dynamic, is fundamental in this region in particular, since it is one of the regions of the EU with the lowest socio-economic development rates, being pointed out as an area of low density in which entrepreneurial captivity may be the driving force behind this situation.
## I. INTRODUÇÃO
objetivo fundamental deste estudo, foi o de perceber se a fronteira ainda influi nas diferentes iniciativas empreendedoras e de que forma isso acontece. A fronteira Alentejo-Extremadura, é cada vez mais uma região socialmente deprimida resultando daí possibilidades e capacidades de cooperação substancialmente reduzidas (Reigado, 2013). Numa situação de periferia geográfica, económica e política, é um espaço marginal muito distanciado dos centros de decisão nacionais, regionais e também dos centros de consumo (Carrera Hernández, 2013). Por outro lado, transformar uma fronteira que divide numa fronteira que une, potenciando uma maior coesão territorial, foram e continuam a ser os grandes desígnios da cooperação territorial europeia (Soeiro, Beltrán, Cabanas, Lange, Mao, & Masarova, 2016), dai a necessidade de fomentar o empreendedorismo como forma de a desenvolver.
Neste trabalho tentamos aferir se o empreendedorismo, nas duas regiões de fronteira, é semelhante entre si e em relação aos seus países de origem, ou se por contrário as suas evoluções são tão dispares que revelam a pouca preocupação que existe em potenciar estas iniciativas no território. Para essa análise utilizamos dados estatísticos sobre as regiões e os dados GEM, tentando caracterizar tanto os territórios como a sua atividade empreendedora.
## II. A Fronteira
Sendo esta uma região em que os esforços da UE para nivelar o seu desenvolvimento, relativamente à média europeia, parecem não ter o efeito pretendido, foi possível aferir alguns dos entraves ao desenvolvimento da atividade empreendedora, num território em que estas iniciativas são preponderantes para inverter a sua trajetória. Entendendo que o efeito da existência de uma fronteira conduziu ao desenvolvimento de um território de baixa densidade, económica e socialmente débil, é importante fomentar o empreendedorismo e a cooperação entre as áreas geográficas de forma a potenciar o seu desenvolvimento económico e social.

Figura 1: Quebra do ciclo vicioso dos territórios de baixa densidade
Fonte: Elaboração própria
A fronteira, criando uma influência especifica na envolvente, que diverge em intensidade e tipo, de território para território, dependendo dos processos de interação e integração entre os diversos atores e agentes locais, conduziu a desenvolvimentos económicos distintos que importa entender. Esses desenvolvimentos distintos ou descontinuidades espaciais (acesso difícil), físicas (rios, montanhas, mares), culturais, linguísticas (diferentes línguas), demográficas, sociais e económicas, resultam em barreiras que diminuem as oportunidades de cooperação, afetando o crescimento e desenvolvimento dessas regiões (CE, 2016).
Nesse sentido, importam no aumento dos custos de transação, em barreiras linguísticas, na divisão de áreas de influência, em custos alfandegários e em potenciais conflitos políticos e militares (Anderson & O'Dwod, 1999).
Com efeito, nas regiões de fronteira, o efeito barreira visto que engloba obstáculos e descontinuidades de acessibilidades importantes que favorecem a fragmentação das áreas de mercado e a duplicação de serviços, o que se materializa em (des) economias de escala (Suárez-Villa, Giaoutuzi & Stratigea, 1991), apesar da linha de fronteira não passar de um artificialismo humano (Policarpo, F. & Hernández, R., 2015, p.110)
Neste caso, sendo regiões de fronteira com características de regiões periféricas, localizadas longe de áreas metropolitanas centrais e de grandes mercados dinâmicos (Arbuthnott & von Friedrichs, 2013), apresentam efeitos de perda e fragilidades, quer por via da penalizadora evolução da sua população, diferentes regimes laborais e fiscais, querpela ausência de estratégias coletivas e concertadas de coesão económica e social (Natárioet al., 2018).

Fonte: Elaboração própria, com base em ine.es e ine.pt
### Gráfico 1: Taxa de Desemprego 2016
A taxa de desemprego na região da Extremadura, em 2016, situou-se em mais do dobro da região Alentejo, continuando acima da média do seu país em quase $8\%$. Por sua vez, o Alentejo mantém-se acima da média nacional, em cerca de $1\%$. Os dois países estão acima da taxa média da UE, contudo a Espanha, com mais do dobro, cerca de $11\%$ mais. Tal como a CCRA (Comissão de Coordenação da Região Alentejo) reconhece nodocumento de apresentação do Pacto Territorial para o desenvolvimento e o Emprego noAlentejo (Galego, Alegria & Garcia, 1988), esta região possui uma série de constrangimentos ao seu desenvolvimento, nomeadamente:
1. Elevados níveis de repulsão e envelhecimento, com a consequente perda de vitalidade demográfica;
2. Reduzidos níveis de qualificação e instrução de recursos humanos;
3. Elevado número de pessoas desempregadas e sub-empregadas;
4. Reduzida diversificação da base económica com grande dependência do sector agrícola, dos
serviços públicos e das transferências de rendimento;
Debilidade do tecido empresarial.
Entre 2013 e 2017, os valores do salário mínimo mensal (considerando a remuneração anual dividida por 12) em Portugal e em Espanha aumentaram, respetivamente, de 566 €para 650 € e de 753 € para 826 €. É claro o contraste com os valores mínimo e máximo existentes na UE no mesmo período: a Bulgária passou de $159 \notin$ para 235 € e o Luxemburgo de 1 874 € para 1 999 € (0CDE, 2017).
O nível de instrução dos empregados no ano 2016 era claramente mais elevado em Espanha $( 43,2\%$ possuíam um grau de ensino superior) do que em Portugal $44,0\%$ não tinham ido além do 3.o ciclo do ensino básico).
Face ao exposto, e analisando o quadro abaixo apresentado, é factual que o índice de população desempregada seja maior nas regiões em estudo do que nos países de que fazem parte, apresentando a Extremdura um valor mais do dobro do Alentejo.
Quadro 1: População, Emprego, e Desemprego - 2016
<table><tr><td>Milhares</td><td>População Ativa</td><td>População Empregada</td><td>População Desempregada</td><td>Ind. Pop. Ativa</td><td>Ind. Pop.Des</td></tr><tr><td>Espanha</td><td>22.823</td><td>18.813</td><td>3.487</td><td>49</td><td>15</td></tr><tr><td>Extremadura</td><td>463</td><td>357</td><td>106</td><td>43</td><td>30</td></tr><tr><td>Portugal</td><td>5.178</td><td>4.605</td><td>573</td><td>50</td><td>11</td></tr><tr><td>Alentejo</td><td>343</td><td>302</td><td>41</td><td>45</td><td>12</td></tr></table>
Com base no estudo de Vaz, Barbosa, Cesário e Guerreito (2003) sobre a atratividade regional das zonas rurais do sul da Europa, onde se inclui as áreas em análise, identificaram-se um conjunto indicadores de atratividade regional de todos os países do sul da Europa, por regiões, os quais foram classificados (a Itália foi excluída devido ainconsistências de dados) em três grupos de acordo com o quadro 2 abaixo apresentado. Estes três grupos, criados com base nas características regionais de atratividade para as empresas, sendo o primeiro grupo, aquele em que se insere a região Alentejo, o que respeita a condições de atratividade para negócios inadequadas, o segundo, o que apresenta algum potencial de crescimento começando a indicar uma atratividade média; e, onde se insere a Extremadura, e finalmente, o terceiro grupo, o que mostra ter condições de sucesso para estabelecer estruturas e mantê-las autosustentáveis e estáveis.
Quadro 2: Atractividade regional
<table><tr><td>Cluster 1
Inadequate conditions</td><td>Cluster 2
Potencial for growth</td><td>Cluster 3
Successful conditions</td></tr><tr><td>Anatoliki Makedonia, Thraki</td><td>Attiki</td><td>Champagne</td></tr><tr><td>Kentri Makedonia</td><td>Galicia</td><td>Picardie</td></tr><tr><td>Dytiki Makedonia</td><td>Asturias</td><td>Haute-Normandie</td></tr><tr><td>Thessalia</td><td>Cantabria</td><td>Centre</td></tr><tr><td>Ipeiros</td><td>Pais Vasco</td><td>Basse-Normandie</td></tr><tr><td>Ionia Nisia</td><td>Navarra</td><td>Bourgogne</td></tr><tr><td>Dytiki Ellada</td><td>Rioja</td><td></td></tr><tr><td>Sterea Ellada</td><td>Aragón</td><td></td></tr><tr><td>Peloponnisos</td><td>Madrid</td><td></td></tr><tr><td>Voreio Aigaio</td><td>Castilla-La Mancha</td><td></td></tr><tr><td>Notio Aigaio</td><td>Extremadura</td><td></td></tr><tr><td>Kriti</td><td>Cataluña</td><td></td></tr><tr><td>Baleares</td><td>Comunidad Valenciana</td><td></td></tr><tr><td>North</td><td>Andalusia</td><td></td></tr><tr><td>Centro</td><td>Murcia</td><td></td></tr><tr><td>Alentejo</td><td>Canarias</td><td></td></tr><tr><td>Algarve</td><td>Lisbon and Tagus Valley</td><td></td></tr><tr><td>Azores</td><td></td><td></td></tr><tr><td>Madeira</td><td></td><td></td></tr></table>
Face ao estudo, o Alentejo e a Extremadura, situam-se em diferentes grupos ao nível da atratividade para as empresas, apresentando estruturas socioeconómicas e de governaçãodistintas.
O Alentejo está incluído no grupo de regiões de baixa e constante perda de densidade populacional, com poucos centros urbanos, fracas acessibilidades, baixo nível de investimento privado e no que diz respeito às atividades de investigação e desenvolvimento (I & D), estas são poucas e basicamente apoiadas pelo setor público. Também neste cluster verifica-se falta de qualificação da mão de obra o que afeta a procura por parte das empresas levando à falta de estabilidade dos empregos. O
segundogrupo observado inclui a Extremadura, integra regiões com bons acessos, níveis de formação mais elevados, maiores centros urbanos o que potencia a densidade populacional, maior esforço em I & D, estando as empresas localizadas neste grupo cientes da sua importância, denotando sinais de querer integrar essas atividades nos seusprocessos de produção.
Por outro lado, convêm não esquecer, que quando uma fronteira separa duas regiões económica e socialmente deprimidas, como as regiões em estudo, as possibilidades e capacidades de cooperação são substancialmente reduzidas (Reigado, 2).
Desde as alterações ocorridas em Portugal e Espanha com a integração europeia, assistimos a uma alteração dos comportamentos, face à fronteira e na fronteira, devido, essencialmente, à livre circulação de pessoas, capitais e mercadorias aprovada entre alguns países da União Europeia no Tratado de Schengen (1985) (Lima, 2012, p.79).
Nos dias de hoje, as fronteiras, assumem cada vez mais um valor estratégico de controlode mercados e de competitividade supranacional. Por isso, a União Europeia(UE) considera-as como lugares especiais de aplicação de políticas públicas orientadas para o desenvolvimento, por onde passa o desafio da atenuação de diferenças internas e de reforço da coesão (Lima, 2012).
Certo é que o processo de integração política e territorial que ocorreu por quase toda a Europa, conduzindo à abertura das fronteiras permitiu, consequentemente, o aumento da sua permeabilidade (Janeco, 2015). Por esse facto, as regiões de fronteira alcançaram umaposição de especial interesse, não só pelas questões de soberania nacional, mas, também, pela cooperação entre populações, com vista a uma maior coesão e desenvolvimento (UE,2007).

Figura 2: Componentes estruturantes da coesão territorial
Fonte: Elaboração própria
A coesão territorial, prevista no Tratado de Amesterdão (1997), representa a adoção de outro quadro conceptual que entende o território como uma dimensão ativa do desenvolvimento, situada ao mesmo nível que os processos sociais e económicos (André, 2002). Nesse sentido, o Tratado de Lisboa (2007) e a Estratégia Europa 2020, inseriram uma nova vertente na estrutura da coesão territorial, defendendo assim uma das suas principais ideias, a de uma Europa sem fronteiras vocacionada para a cooperação territorial (Isidro, 2013).
"Contudo, os processos de cooperação transfronteiriça a nível ibérico, apesar do seu dinamismo inegável, não estão a progredir e a desenvolver-se tão rapidamente comonoutras regiões da Europa" (Castanho, Loures, Cabezas & Fernández-Pozo, 2017, p.1). Por seu lado, as desejadas convergências, em particular nas regiões de fronteiras, não têm sido conseguidas pelos diversos quadros comunitários (QCA) na medida em que continuam a existir disparidades regionais, (Fath & Hunya, 2001; Santamaría & Pires,2016).
Porém, a Comissão Europeia (2016) considera que a região de fronteira Espanha-Portugal está integrada no grupo das fronteiras europeias com maior potencial de competitividade e de integração de mercado. Sendo um espaço de trocas, de resiliências e de conflitos, de hibridismos culturais, onde diferentes quadros fiscais, lógicas de governação e políticas criaram condicionalismos específicos, que afetam os fluxos internacionais gerados e os potenciais desenvolvimentos, face aos enquadramentos políticoadministrativos existentes (Fernandes, Natário & Braga, 2016).
Porem, apesar da abolição da fronteira, ainda são apontados como potenciadores so seu efeito os seguintes aspetos: diferentes níveis de desenvolvimento que, marcando o sentido de mobilidade, podem potenciar contra-corrente em situações de desequilíbrios intersectoriais (por. ex. diferentes preços); entraves à mobilidade dos fatores, como sejama língua, a cultura, a legislação e diferentes sistemas de proteção social; deficiente circulação de informação (por ex. sindicatos e empresários); intensidade e sentido da mobilidade dos capitais devido à legislação referente ao investimento e politica de crédito, nível de desenvolvimento tecnológico e eficiência dos serviços de administração publica; ofertas concorrentes de produtos e serviços originadas pela semelhança de recursos e de estruturas económicas dos dois lados da fronteira (Reigado, 2009).

Fonte: INE.pt; Pordata Gráfico 2: Evolução do PIB Regional
Para Baptista (1985), o processo de estagnação económica no Alentejo resulta quer de fatores de natureza geomorfológica e climática, quer de outros, de ordem sociopolítica.
Este processo caracteriza-se pela desvalorização dos recursos regionais, conduzindo a uma diminuição das vantagens locativas, do potencial do mercado, e de iniciativa endógena, com os consequentes baixos níveis de investimento e de modernização da estrutura produtiva.
O tecido produtivo do espaço fronteiriço em análise é caracterizado por empresas de muito pequena dimensão, microempresas de cariz familiar, com um número muito reduzido de pessoas ao serviço, o que significa que há maiores dificuldades para a obtenção de financiamentos e para investimentos externo. Estas são pouco diversificadas e com peso pouco significativo, centrando-se, fundamentalmente, em serviços básicos e exploração de recursos naturais endógenos (Soeiro et al., 2016).
A produtividade destas áreas situa-se $18\%$ abaixo da média da EU, sendo que as áreas com mais dinamismo são as com maior densidade populacional e com um capital humano mais qualificado. O carácter rural e periférico do território, a existência de numerosos núcleos urbanos de reduzido tamanho e a dispersão da população geram problemas adicionais às PMEs instaladas no território (Castro, 2013). Pequenos negócios apresentamescassos valores de crescimento/ índices de desenvolvimento.
De acordo com estudos anteriores, algumas explicações são comumente dadas para este fato: a fraqueza do tecido económico e de negócios, a fraca capacidade de atrair novos negócios, dificuldade de acesso aos principais mercados, menor capacidade de comunicação com centros de decisão e até mesmo a simples falta de empreendimento naquelas áreas (Castanho et al., 2017).
Por outro lado, o capital investido leva muito tempo_ a recuperar o que representa um problema para os investidores, para além de constituir um processo muito burocratizado, o que agrava a implementação formal e funcional da iniciativa empreendedora (Macias, Rodríguez, Fernandes, Natário & Braga, 2014).
Numa região com povoamento disperso, forte ruralidade e decréscimo de população, a agricultura permanece como atividade relevante. A taxa de atividade inferior às médias nacionais, é potenciadora do maior nível de desemprego e é afetada pelo analfabetismo superior às médias dos respetivos países. Desta realidade destaca-se Badajoz que vêm contrariar alguns destes indicadores, sendo a cidade mais próxima da fronteira em análise. O número de empresas destas regiões não tem crescido significativamente ao longo do tempo, o que se deve essencialmente à já existente debilidade do tecido económico e empresarial e ao facto deste espaço ter características pouco atrativas para a fixação de novas empresas. Dificuldades de acesso a grandes mercados, menor capacidade de discussão com os centros de decisão e falta de capacidade de iniciativa caracterizam esteespaço.
Em relação a Portugal, o Alentejo Interior apresenta apenas cerca de $4\%$ do total de empresas do país, sendo que destas $98\%$ são microempresas, em que o emprego médio éna ordem de 2,5 trabalhadores por empresas, número inferior ao observado no país. Apenas $5,6\%$ são indústrias transformadoras. Num total de 15 milhares de euros, o PIB per capita regional apresenta valor inferior ao registado no país.
Quanto ao pessoal ao serviço e ao volume de negócios, no Alentejo Interior, estas percentagens descem para $5 {, } 3\%$ e $4,2\%$ em relação aos valores nacionais.
Em relação a Espanha, na Extremadura a importância do setor dos serviços sobressai na estrutura económica desta comunidade, tendo vindo a substituir o peso que o setor primário tinha nessa região ao longo das últimas décadas. Apenas $8\%$ são indústrias transformadoras, sendo que as empresas de serviços (sector com maior peso, $57\%$ e de comércio, no seu todo, representam $79\%$ do tecido empresarial. O tecido empresarial desta Comunidade Autónoma, cerca de $2\%$ do total de empresas do país, caracteriza-se pelo facto de cerca de $65\%$ das empresas existentes possuírem apenas um ou dois trabalhadores e mais de $20\%$ contar com menos de 5 trabalhadores, existindo apenas cerca de dez empresas com mais de 500 trabalhadores. Os principais subsetores industriais sãoo agroindustrial, o energético, a cortiça e o têxtil.
Pelo exposto, estas regiões tendem a apresentar condições menos favoráveis à criação e desenvolvimento de atividades empresariais (Oinas & Malecki, 1999), pelo que o nosso estudo visa entender a incidência no empreendedorismo da localização na zona de frontera, como forma de conhecer alguns desses constrangimentos regionais. Só através da sua identificação é possível apontar soluções que permitam a criação de uma nova dinâmica territorial, dependente da interferência e da habilitação dos atores locais e regionais, na exploração de fatores endógenos comuns, aproveitando a criação do mercado único.
## III. ACTIVIdaDE EmpreeNdeDOra
Sendo importante para o seu desenvolvimento enquanto região, mas também do país que integra, o relacionamento entre estas regiões e num contexto de rápidas mudanças tecnológicas, de globalização das economias, e em que, simultaneamente, é atribuída uma importância acrescida, para que as regiões incrementem a sua competitividade, através das caracteristicas locais, é necessário fomentar o empreendedorismo e a inovação nestas regiões, para que explorem sinergias resultantes da sua localização (Fig. 3). Entende-se, assim, que "as estratégias e ações a promover devem reconhecer as especificidades territoriais com que os atores económicos e sociais se debatem, a valorização dos recursos, produções e saber-fazer locais, numa visão de internacionalização e cooperação a uma escala transnacional" (Fernandes, Natário & Braga, 2016, p. 3).

Figura 3: A Competitividade como articulação da eficiência coletiva e individual
Fuente: Elaboração própria, com base em Mateus & Associados, 2005
Contudo, o desenvolvimento do ecossistema empreendedor exige uma série de recursos e um novo modelo educacional e cultural que favoreça e incentive o espírito empreendedor. De facto, nos últimos anos, devido essencialmente à intensa crise vivida, o empreendedorismo tem ganho relevo, uma vez que é parte fundamental da solução no atual cenário económico.
Por outro lado, se a atividade empresarial fomenta a competitividade regional (Fig. 4.), é necessário empreender em contextos deprimidos e pouco inovadores, como forma de aumentar o emprego e melhorar o rendimento dos cidadãos (Barata, 2013), potenciando a criação de emprego e riqueza e criando igualmente valor social (Fernández-Laviada. Peña. Guerrero & González. 2014).

Figuras 4: Pirâmide da competitividade regional
Fonte: Elaboração própria, com base em Mateus & Associados, 2005
De acordo com o referido, o desenvolvimento de um País ou de uma região passa pela capacidade de se produzir riqueza capaz de gerar bem-estar e qualidade de vida às suas populações. A envolvência territorial e as questões da proximidade tornam-se visíveis e pertinentes para análise da performance empresarial, uma vez que as empresas são obrigadas a agir em função dessas diferenças. A existência de alguma permeabilidade nessas regiões, permite às populações explorar as diferenças entre os dois lados da fronteira, comparando os desiguais níveis de preços que sempre estimularam o comércio transfronteiriço entre Portugal e Espanha (Gaspar, 1996). Nas regiões de fronteira o empreendedor enfrenta uma serie de desafios e é limitado em muitos fatores, incluindo a procura local limitada, a pequena dimensão do mercado, a falta de acesso a mercados extraregionais, a baixa densidade populacional e a consequente falta de oportunidade para a rede de interação com os atores regionais, o uso generalizado das tecnologias de informação e as dificuldades no acesso ao capital (Fuller-Love, Midmore, Thomas & Henley, 2006; Macías et al., 2014). Sendo regiões predominantemente rurais, com baixa densidade populacional e de empresas, em que se verifica desarticulação da estrutura produtiva tradicional (Natário et al., 2018), o fomento do empreendedorismo, na linha dos processos territoriais de inovação (Lundvall,1992: Edquist, 1997), é fundamental paraa sua sustentabilidade a curto, médio e a longo prazo (Macías et al., 2014).
A ausência de estudos aprofundados sobre este tema, associada á escassa informação sobre o modo e a forma como o desenvolvimento da sociedade e da economia portuguesas e espanhola, assentam em sinergias inter-regionais, ou seja, não há estudos sobre as trajetórias e dinâmicas do desenvolvimento das regiões que equacionem o modo e a extensão da influência do desenvolvimento de uma determinada região no desenvolvimento das outras regiões e, reciprocamente, como é influenciado por estas (Vale, 2009).
Os laços históricos entre Espanha e Portugal a nível cultural, social e, sobretudo, económico levam a que, também em termos de dinâmicas empreendedoras, os dois paísesdevam ser analisados e avaliados conjuntamente.
O esbatimento das fronteiras económicas e sociais assenta na implementação de programas de desenvolvimento económico, baseados na valorização dos recursos endógenos, no reforço da competitividade das empresas, na internacionalização destas regiões, na inovação, na cultura e saberes locais, no reforço da rede de infraestruturas e equipamentos, no reforço e ordenamento da rede urbana, uniformização e aproximação da legislação laboral e de investimentos, no reforço da circulação de informação e no estimulo ao intercâmbio cultural, recreativo e desportivo (Reigado, 2009)
Importa aqui aferir também se O desenvolvimento destas regiões assenta em sinergias inter-regionais, tentando perceber as suas trajetórias, as dinâmicas de desenvolvimento, por forma a equacionar, o modo e a extensão, da influência do efeito fronteira no desenvolvimento das iniciativas empreendedoras nessas duas regiões. Este processo nãosó se constitui como um passo em frente em termos de integração económica dos dois países, como traz um considerável valor acrescentado ao GEM.

[Fonte: www.gemextremadura.es/Mis archivos/Informes/GEMEUROACE-2014-15.pdf] Figura 5: O Processo Empresarial na Euroregião Alentejo/Extremadura
- Com base no Relatório sobre
- Empreendedorismo na EUROACE2 2014-153, podemosverificar que a região Alentejo apresentou uma taxa de iniciativas empreendedoras (TEA ou seja o número de pessoas entre $18 \mathrm { ~ e ~ } 64$ que exercem uma atividade empresarial que ainda não completou três anos e meio) de $7,1\%$ enquanto a Extremadura apresentou $7,4\%$. Sendo que os seus países apresentaram, respetivamente, 10 e 5,5, o que coloca a região da Extremadura francamente mais á frente no conjunto em analise.
- Para além disso, as pessoas que durante o último ano abandonaram uma atividade empresarial representam $2,6\%$ da população adulta na Extremadura e $1\%$ no Alentejo.
- Do total de iniciativas desenvolvidas, a Extremadura é a região que tem mais iniciativas baseadas na oportunidade e menos na necessidade $73\%$ VS. $23 \mathrm {, } 2\% )$. Por seu lado, o Alentejo, face à Extremadura, centra menos iniciativas na oportunidade $( 69,2\% )$ e mais na necessidade $( 30,8\% )$.
- De acordo com os especialistas, as condições para empreender nestas regiões não são favoráveis. Das 16 condições para empreender analisadas, somente 5 mantêm valores positivos e são elas: o interesse pela inovação; a motivação para empreender; o acesso à infraestrutura física; o apoio a negócios de alto crescimento; o apoio à mulher empreendedora.
- Quanto aos fatores que criam entrave à atividade empreendedora são apontados:
- a falta de apoio financeiro;
- as normas culturais e sociais;
- as políticas governamentais.
- Por outro lado, os fatores que mais favorecem a atividade empreendedora são:
- a educação e formação;
- a crise económica;
- os programas e políticas dos governos;
- as normas sociais e culturais.
- Para O incremento da atividade empreendedora, os especialistas recomendam no futuro:
- políticas e programas governamentais que favoreçam o surgimento de novasempresas;
- mais apoio financeiro para a criação de empresas;
- a educação e formação empreendedora a todos os níveis;
- e a transferência de pesquisa e desenvolvimento.
No Relatório foram apresentados como fatores determinantes para a atividade empreendedora transfronteiriça e que geram dificuldades:
- as normas culturais e sociais;
- as políticas governamentais;
- acesso a infraestruturas físicas.
## IV. CONCLUSÕES
Neste trabalho, tentamos entender a relação entre a fronteira e as iniciativas empreendedoras, como fator de desenvolvimento do território, estudamos, a fronteira e a atividade empreendedora, verificando que as condições que influem na actividade empreendedora são em muito reflexo da existência de uma fronteira cujos mecanismos nacionais e supranacionais não conseguem inverter.
[^1]: Autor de correspondencia. _(p.1)_
[^2]: A Eurorregião EUROACE, fundada em 2009, composta pela região espanhola da Extremadura e pelas regiões portuguesas do Alentejo e Centro, resulta de um protocolo assinado entre as três regiões para a elaboração de novas estratégias de cooperação, assumindo extrema importância para o desenvolvimento económico das relações entre Portugal e Espanha devido à sua posição privilegiada relativamente à diagonal continental e faixa atlântica. O território, na sua totalidade, equivale a quase um quinto da superfície espanhola, contendo mais de 3 milhões de habitantes _(p.10)_
[^3]: O Relatório sobre Empreendedorismo na região EUROACE constituise como o primeiro resultado prático da implementação transfronteiriça do GEM, avaliando os níveis e natureza da atividade empreendedora na Eurorregião, fazendo uso da experiência prévia das equipas nacionais e regionais do GEM em Espanha e Portugal. _(p.10)_
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From the analysis of GEM data, in relation to the Portugal-Spain border space, more specifically Alentejo-Extremadura, we tried to assess whether the development of entrepreneurial activities was affected by its territorial context. This being one of the least developed borders in the whole European Union (EU) and a problem for territorial cohesion, leading to the definition of policies and lines of support for its development, we try to understand whether entrepreneurship, a major factor in the development of the territory, followed the position of the respective countries or if there is a divergent performance. Entrepreneurship, increasingly pointed out as a means of enhancing the development of regions, either through job creation or through innovation, allows the inversion of the vicious cycle of low-density territories. The study of entrepreneurship in these regions, important for the perception of the relevant variables of this dynamic, is fundamental in this region in particular, since it is one of the regions of the EU with the lowest socio-economic development rates, being pointed out as an area of low density in which entrepreneurial captivity may be the driving force behind this situation.
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