A presente reflexão analisa o senso de entitlement como fenómeno situado entre duas dimensões distintas: o direito legítimo e a ilusão do privilégio. Parte-se da ideia de que nem toda percepção de direito é ilegítima, pois a dignidade humana, a justiça social e a cidadania dependem do reconhecimento de direitos. O problema surge quando essa percepção se desloca do plano da legitimidade para o da distorção moral, convertendo-se em expectativa infundada de privilégio, desvinculada do mérito, do esforço, da responsabilidade, da reciprocidade e dos critérios éticos que sustentam a convivência. O texto articula fundamentos filosóficos, psicológicos, organizacionais, educacionais, socioculturais e político-cidadãos, recorrendo a autores como Aristóteles, Kant, Rawls, Sen, Twenge, Campbell, Harvey, Freire, Dewey, Durkheim, Kohlberg, Nussbaum, Bauman, Lipovetsky, Honneth, Taylor, Bourdieu, Bobbio, Marshall, Arendt e Habermas. Defende-se que a maturidade moral, profissional e cidadã não consiste em reivindicar mais do que é devido, mas em reconhecer, com lucidez e responsabilidade, os limites e os fundamentos do próprio direito.