Prevalência De Sinais E Sintomas De Disbiose Intestinal E Sua Relação Com O Sucesso Ou Insucesso Na Perda Do Excesso De Peso (%Pep) Em Pacientes Bariátricos
etiologia da obesidade é marcada pela influência da vida moderna, como rotinas agitadas, porém, com pouca atividade física e a cultura de consumo principalmente para alimentos ultraprocessados, tornando a obesidade uma doença de difícil tratamento e controle devido à sua complexidade12. Pessoas obesas costumam tentar diferentes métodos para reduzir o peso, dietas da moda, exercícios físicos extenuantes, medicamentos com e sem prescrição e intervenções com e sem indicações corretas, mas poucos tratamentos clínicos para a obesidade são efetivos na perda e manutenção do peso ideal.1 A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) descreve através de estudos que a indicação da cirurgia bariátrica vem crescendo atualmente, sendo considerada um método eficaz no tratamento da obesidade grave e no controle de peso a longo prazo. Em 1999, a cirurgia bariátrica foi incluída entre os procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).34 O Bypass Gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, considerado um procedimento misto, que reduz o espaço para o alimento no estômago e promove um desvio do intestino inicial levando ao aumento da liberação de hormônios que promovem a saciedade e diminuem a fome.4 Essa somatória entre a menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, porém a presença de comportamentos inadequados no estilo de vida como pouca ou nenhuma prática de atividade física e hábitos alimentares inadequados podem diminuir a eficácia do procedimento cirúrgico e representar a recuperação do excesso de peso perdido.5 Os mecanismos possivelmente envolvidos neste processo precisam ser melhor analisados, atualmente estudos referem que a alterações na microbiota intestinal podem estar envolvidos neste processo6,7,8. A literatura científica refere que pacientes obesos apresentam uma diferença na microbiota intestinal em comparação com a população magra®,10. A disbiose intestinal é uma perturbação na homeostase do microbioma gastrointestinal, ocorre a diminuição dos microorganismos benéficos, aumento dos nocivos e perda da diversidade do microbioma gastrointestinal, tratar-se de uma patologia de etiologia multifatorial, relacionada a fatores farmacológicos, estilo de vida e a alimentação11,12. Apesar de vários estudos publicados nos últimos anos relacionando a microbiota intestinal com a fisiopatologia da obesidade e os efeitos a curto prazo da cirurgia bariátrica sobre essa microbiota, não sabemos ainda, em que medida as modificações promovidas pela cirurgia nesse campo podem influenciar no desenvolvimento da disbiose intestinal e afetar a perda do excesso de peso destes pacientes13,14.
## II. OBJETIVOS
Investigar sinais e sintomas de disbiose intestinal e sua relação com a perda do excesso de peso (%PEP) e o tempo pós operatório em pacientes Bariátricos em Hospital Público no Estado de São Paulo.
## III. MÉTODO
Trata-se de um estudo transversal observacional que foi realizado com pacientes Bariátricos com tempo cirúrgico de 2 a 7 anos, maiores de 18 anos, sem comorbidades atendidos no ambulatório de especialidade de Nutrição Bariátrica do hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), no período entre novembro 2019 a fevereiro 2020.Esta pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo sob o n. de CAAE 23694519.8.0000.5479. Considerando-se aptos os pacientes a participar da pesquisa após a leitura e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
Como critério de exclusão: Gestantes, nutrizes, dependentes químicos, etilistas, tabagistas, em uso de medicamentos para perda de peso e que estavam fazendo uso de probióticos ou prebióticos há menos de um mês. Para definir a diferença percentual do peso perdido em relação ao excesso de peso (%PEP), utilizou-se como base o peso registrado no dia da cirurgia, peso ideal para valor do Índice de Massa Corporal (IMC) conforme proposto pela $\mathsf { F A O } ^ { 15 } \mathsf { e }$ para os pacientes com 60anos ou mais utilizou-se o IMC de acordo com a idade e peso mínimo alcançado no póscirúrgico, conforme descrito por Novais, $2010 ^ { 16 }$. A perda do excesso de peso é considerada um dos principais parâmetros para definir o sucesso do procedimento cirúrgico, sendo consenso entre pesquisadores que o critério para esta avaliação é o%PEP de pelo menos $50\%$. Os pacientes do estudo foram alocados em dois grupos (grupo I: sucesso PEF $0\%$ e grupo II: insucesso $P E P < 50\%$,realizado análise estatística através do teste Teste de Mann-Whitney.
Para a investigação dos sinais e sintomas de disbiose intestinal foi aplicado o Questionário de Rastreamento Metabólico (QRM) do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional7, composto por questões subjetivas, coletando informações a respeito do organismo do paciente, relativas aos últimos 30 dias. O QRM é um instrumento utilizado para apurar diversos sinais e sintomas, onde há uma pontuação que o próprio paciente avaliará. A somatória desta pontuação resultará como indício para o rastreamento de possíveis deficiências nutricionais, hipersensibilidades, intolerâncias alimentares ou outras causas, sendo voltada também, a disbiose intestinalTM6. Para análise dos sinais e sintomas específicos para disbiose intestinal serão destacados para seção específica de sintomas gastrointestinais (náuseas, vômito, diarreia, constipação, abdômen distendido, gases intestinais, azia e dor estomacal). As informações coletadas por meio do questionário são interpretadas por uma escala de pontuação de zero a quatro, na qual, zero nunca ou quase nunca teve o sintoma, um ocasionalmente teve, efeito não foi severo, dois ocasionalmente teve, efeito foi severo, três frequentemente teve, efeito não foi severo e a pontuação quatro frequentemente teve, efeito foi severo. Na pontuação final do QRM17 apresenta-se a descriminação da possível presença de hipersensibilidade e estado de saúde, sendo: $< 20$ pontos: Pessoas mais saudáveis, com menor chance de terem hipersensibilidade, $> 20$ pontos: Indicativo de existência de hipersensibilidades, ${ > } 40$ pontos: Absoluta certeza de existência de hipersensibilidade, $>$ 100 pontos: Pessoas com saúde muito ruim - alta dificuldades para executar tarefas diárias, pode estar associada à presença de outras doenças crônicas e degenerativas.
Para análise do QRM17 utilizou o teste Exato de Fisher. Para avaliar a consistência das fezes e suas alterações no pré e pós operatório aplicou-se a escala de Bristol18, escala composta por imagens que representam sete tipos imagem de fezes, por sua forma e consistência. Para análise da escala de Bristol utilizou-se o teste Exato de Fischer e Teste do Quiquadrado.
## IV. RESulTadOS
Foram avaliados 44 pacientes do gênero feminino com tempos cirúrgicos entre 2 e 7 anos. O grupo I (Sucesso) com 31 componentes e o grupo Il
(Insucesso) com 13 componentes. Neste grupo de estudo, pacientes com 2 e 3 anos de cirurgia apresentaram $66\%$ de sucesso, com 4 anos $81\%$ de sucesso, com 5 e 6 anos $50\%$ de sucesso e com 7anos $100\%$ com sucesso.
A tabela 1 apresenta o resultado obtido de QRM17 para os pacientes do estudo segundo sucesso ou insucesso na perda do excesso de peso.
Tabela 1: QRM'7 obtido pelos pacientes do estudo segundo sucesso e insucesso da cirurgia. (PEP $50\%$ e PEP $< 50\%$ )
<table><tr><td rowspan="2">QRM</td><td colspan="2">Successo</td><td colspan="2">Insuccesso</td><td colspan="2">Total</td></tr><tr><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td></tr><tr><td>Indicativo de hipersensibilitadede</td><td></td><td></td><td></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Certeza de hipersensibilitadede</td><td>19</td><td>61.4</td><td>5</td><td>38.4</td><td>24</td><td>54.5</td></tr><tr><td>Saúde muito ruim</td><td>1</td><td>3.2</td><td>4</td><td>30.8</td><td>5</td><td>11.4</td></tr><tr><td>Total</td><td>31</td><td>70.4</td><td>13</td><td>29.6</td><td>44</td><td>100.0</td></tr></table>
TaEscaladBristo oida peos pacientes dostudo doprocedimento cirúrgico, segundo sucesso e insucesso da cirurgia. (PEP $50\%$ e PEP $150\%$ )
<table><tr><td rowspan="2">Escala Bristol ANTES</td><td colspan="2">Successo</td><td colspan="2">Insuccesso</td><td colspan="2">Total</td></tr><tr><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td></tr><tr><td>Normal</td><td>16</td><td>51.6</td><td>1</td><td>71.4</td><td>26</td><td>57.8</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td><td>0</td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td>Alterada</td><td>15</td><td>48.4</td><td>4</td><td>28.6</td><td>19</td><td>42.2</td></tr><tr><td>Total</td><td>31</td><td>68.9</td><td>1</td><td>31.1</td><td>45</td><td>100.0</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td><td>4</td><td></td><td></td><td></td></tr></table>
Tabela Escala de Bristol8 obtida pelos pacientes do estudo Aó do procedimento cirúrgico, segundo sucesso e insucesso da cirurgia. (PEP $50\%$ e PEP $< 50\%$ )
<table><tr><td rowspan="2">Escala Bristol APÓS</td><td colspan="2">Successo</td><td colspan="2">Insuccesso</td><td colspan="2">Total</td></tr><tr><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td><td>N</td><td>%</td></tr><tr><td>Normal</td><td>17</td><td>54.8</td><td>8</td><td>57.2</td><td>25</td><td>55.6</td></tr><tr><td>Alterada</td><td>14</td><td>45.2</td><td>6</td><td>42.8</td><td>20</td><td>44.4</td></tr><tr><td>Total</td><td>31</td><td>68.9</td><td>1</td><td>31.1</td><td>45</td><td>100.0</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td><td>4</td><td></td><td></td><td></td></tr></table>
## V. DISCUSsÃo
Observou-se que também não houve diferença estatística significativa quanto ao tempo cirúrgico para o sucesso ou insucesso da perda do excesso de peso. Segundo a ABESO (2009/2010)3, faz-se necessária a manutenção da perda de peso por 5 anos, período que pode ocorrer falha na manutenção do peso.
Quanto ao resultado da QRM não houve diferença significativa nos dois grupos (sucesso e insucesso) (Tabela1). Tanto no grupo I quanto no grupo Il o valor de maior porcentagem observado foi no item de absoluta certeza de hipersensibilidade. Destaca-se, porém, que no grupo Il (insucesso) o item de pessoas com saúde muito ruim apresenta porcentagem maior que no grupo I (sucesso). Zimmermann1o et. al, 2019 realizou estudo utilizando QRM em mulheres entre 18 e 60anos que participaram de orientações para modificação do consumo alimentar durante 10 semanas, em conclusão houve melhora dos sinais e sintomas para disbiose intestinal segundo resultado do QRM inicial e final do estudo. Este estudo complementa o fato que o Bypass Gástrico pode promove alterações na microbiota intestinal, porém, mudanças no consumo alimentar são necessárias para a promoção da melhora na qualidade de vida no pós operatório, redução do risco no desenvolvimento da disbiose intestinal e a manutenção da perda do excesso peso.
Quanto ao resultado da escala de Bristol1o não houve diferença significativa tanto no pré (Tabela 2) ou no pós-cirúrgico (Tabela 3) nos grupos. Destaca-se, porém, uma diferença de resultado no grupo Il (insucesso) em relação a presença de alteração de consistência nas fezes no pré cirúrgico $( 28,6\% )$ e pós cirúrgico $( 42,8\% )$. Godoy et.al. 2011 realizou estudo utilizando Escala de Bristol e observou relação direta entre a prevalência de constipação intestinal e o valor de IMC, quanto maior valor de IMC maior o grau de constipação e alteração de consistência nas fezes. Este fato pode representar um possível erro no consumo alimentar e falta de atividade física neste grupo de pacientes com insucesso, promovendo alteração na consistência das fezes e reduzindo a perda do excesso de peso.
## VI. CONclusÃO
O tempo cirúrgico não foi determinante para a presença de disbiose intestinal nos grupos sucesso e insucesso. Segundo o QRM os pacientes do grupo Il apresentaram o item de "saúde muito ruim" (pontuação $> 100 )$. Este fato pode indicar que o insucesso na perda do excesso de peso foi associado ao score de QRM mais alto.
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How to Cite This Article
Mônica Fernandez. 2026. \u201cPrevalência De Sinais E Sintomas De Disbiose Intestinal E Sua Relação Com O Sucesso Ou Insucesso Na Perda Do Excesso De Peso (%Pep) Em Pacientes Bariátricos\u201d. Unknown Journal GJMR-I Volume 22 (GJMR Volume 22 Issue I2).
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