The Brazilian Young Parliament Program and its Possibilities for Student Protagonism

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Abstract

The objective of the research was to know the actions developed by the school management and by the education professionals in the perspective of contributing with the student protagonism in the Programa Jovem Jovem Brasileiro. The methodology was based on the qualitative approach, using the case study as a research technique. Data collection was performed using the Google Forms questionnaire. Twenty members participated in the research, being 15 students and five education professionals from a public school in the state network in the interior of PiauΓ­. As a result, it was possible to perceive that the Brazilian Youth Parliament Program contributes to student leadership, in a way that expands the worldview of those involved, as well as providing the political and social setting for issues related to the dilemmas faced in their daily lives.

I. INTRODUÇÃO

educaΓ§Γ£o Γ© um campo em construΓ§Γ£o (SILVA, 2015), Γ© complexa (APPLE, 2001) e dinΓ’mica, tendo, em suas bases, concepΓ§Γ΅es polΓ­ticas que sΓ£o inerentes ao processo polΓ­tico de cada Γ©poca, repercutindo nas normatizaΓ§Γ΅es e nas diretrizes para a Γ‘rea. A escola pΓΊblica, por sua vez, apresenta, em todo o seu percurso, diferentes histΓ³rias, memΓ³rias, posturas e nuances que sΓ£o desencadeados no processo histΓ³rico e polΓ­tico, oriundo da polΓ­tica educacional e das concepΓ§Γ΅es de sociedade que sΓ£o postas no contexto global.

No cenΓ‘rio das mudanΓ§as, cabe levantar uma discussΓ£o sobre as percepΓ§Γ΅es postas na ConstituiΓ§Γ£o Federal de 1988 e na Diretrizes e Bases da EducaΓ§Γ£o Nacional, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, as quais apresentam uma concepΓ§Γ£o de educaΓ§Γ£o democrΓ‘tica e inclusiva, oriunda de um anseio de construΓ§Γ£o coletiva de uma sociedade para todos, sendo que o projeto da educaΓ§Γ£o Γ© o caminho possΓ­vel para direcionar as aΓ§Γ΅es e as propostas planejadas pela polΓ­tica educacional (BRASIL, 1988; 1996).

A polΓ­tica educacional tem um espaΓ§o singular na organizaΓ§Γ£o da escola, sendo o caminho viΓ‘vel para a concretizaΓ§Γ£o dos anseios e dos objetivos polΓ­ticos estabelecidos na concepΓ§Γ£o de sociedade posta nas configuraΓ§Γ΅es macro da polΓ­tica nacional e internacional. As repercussΓ΅es da polΓ­tica educacional causam impactos na gestΓ£o escolar, no currΓ­culo e na avaliaΓ§Γ£o da aprendizagem, redimensionando novas posturas e aΓ§Γ΅es aos envolvidos, desvirtuando as proposiΓ§Γ΅es de construΓ§Γ£o de uma educaΓ§Γ£o para todos, com caracterΓ­sticas emancipatΓ³rias, democrΓ‘ticas e inclusivas, advindas dos preceitos constitucionais.

Diante das conquistas alcanΓ§adas na legislaΓ§Γ£o, especificamente, na ConstituiΓ§Γ£o Federal de 1988, Γ© possΓ­vel perceber, na arena polΓ­tica, que movimentos e organizaΓ§Γ΅es sociais estiveram presentes na luta pelo avanΓ§o da educaΓ§Γ£o em suas mΓΊltiplas dimensΓ΅es, ocasionando um esforΓ§o coletivo para viabilizar os anseios de grande parte da populaΓ§Γ£o brasileira. Nesse contexto, organizaΓ§Γ΅es sindicais, polΓ­ticas e entidades educacionais tiveram o protagonismo importante na configuraΓ§Γ£o das lutas e das conquistas constitucionais.

Um grupo de profissionais, especialmente integrantes da AssociaΓ§Γ£o Nacional pela FormaΓ§Γ£o dos Profissionais da EducaΓ§Γ£o (ANFOPE); da AssociaΓ§Γ£o Nacional de PolΓ­tica e AdministraΓ§Γ£o da EducaΓ§Γ£o (ANPAE); da AssociaΓ§Γ£o Nacional de PΓ³s-GraduaΓ§Γ£o e Pesquisa em EducaΓ§Γ£o (ANPED) e do Centro de Estudos EducaΓ§Γ£o e Sociedade (CEDES), esteve em diΓ‘logo constante com a sociedade, profissionais da educaΓ§Γ£o e lideranΓ§as polΓ­ticas com a finalidade de apresentar os anseios da populaΓ§Γ£o em relaΓ§Γ£o Γ  concepΓ§Γ£o de educaΓ§Γ£o, bem como os caminhos da polΓ­tica educacional, tornando, assim, a polΓ­tica como uma aΓ§Γ£o coletiva com caracterΓ­stica complexa, dinΓ’mica e dialΓ³gica.

Nessa arena de lutas e de tensΓ΅es polΓ­ticas, o espaΓ§o da participaΓ§Γ£o na concretizaΓ§Γ£o de polΓ­ticas educacionais tornou-se um aspecto relevante, uma vez que toda a comunidade Γ© motivada para dialogar, refletir, apresentar ideias e mencionar os seus anseios diante das problemΓ‘ticas apresentadas. A ConstituiΓ§Γ£o Federal de 1988 apresentou possibilidades de participaΓ§Γ£o como pano de fundo de uma administraΓ§Γ£o pΓΊblica e democrΓ‘tica.

A concepΓ§Γ£o de educaΓ§Γ£o postulada pelos educadores e movimentos em defesa da educaΓ§Γ£o pΓΊblica desde a dΓ©cada de 1930, com a divulgaΓ§Γ£o do Manifesto dos Pioneiros da EducaΓ§Γ£o Nova, tem, em suas bases, a participaΓ§Γ£o, o envolvimento de todos no processo de planejamento e avaliaΓ§Γ£o das propostas realizadas, a concretizaΓ§Γ£o da gestΓ£o democrΓ‘tica que congrega com uma educaΓ§Γ£o inclusiva e referenciada socialmente.

Outra dimensΓ£o defendida no contexto das pautas dos movimentos de educadores e pesquisadores Γ© a concepΓ§Γ£o de educaΓ§Γ£o cuja finalidade Γ© contribuir com a emancipaΓ§Γ£o dos estudantes, dando-lhes condiΓ§Γ΅es de efetivar um protagonismo estudantil por meio de suas experiΓͺncias e suas visΓ΅es de mundo. Assim, o objetivo da pesquisa foi conhecer as aΓ§Γ΅es desenvolvidas pela gestΓ£o escolar e pelos profissionais da educaΓ§Γ£o na perspectiva de contribuir com o protagonismo estudantil no Programa Parlamento Jovem Brasileiro (PJB).

A metodologia esteve pautada na abordagem qualitativa, tendo, como tΓ©cnica de pesquisa, o estudo de caso (Yin, 2010). Desse modo, a pesquisa foi desenvolvida na Unidade Escolar LetΓ­cia MacΓͺdo, no municΓ­pio de AnΓ­sio de Abreu, no estado do PiauΓ­. Participaram da pesquisa cinco profissionais da educaΓ§Γ£o, sendo trΓͺs gestores (diretor e coordenadores pedagΓ³gicos) e dois professores. AlΓ©m desses, participarem tambΓ©m 15 estudantes que estiveram envolvidos diretamente no PJB nos anos de 2014 a 2020.

A coleta de dados foi realizada por meio de dois formulΓ‘rios pelo Google Forms, devido ao isolamento social, ocasionado pelo Covid-19, no perΓ­odo de 12 a 17 de agosto de 2020 para oS profissionais e de 12 a 18 de agosto de 2020 para os estudantes. Os dados foram analisados a partir da AnΓ‘lise do ConteΓΊdo, na perspectiva de Bardin (2002), tendo, como categorias Programa Parlamento Jovem Brasileiro, Protagonismo Estudantil e GestΓ£o Escolar. O ponto de partida foi perceber a percepΓ§Γ£o dos gestores, dos professores e dos estudantes, traΓ§ando os caminhos percorridos na escola para o sucesso dos estudantes em relaΓ§Γ£o Γ  vivΓͺncia no Programa, de modo que possibilitasse a reflexΓ£o acerca do protagonismo estudantil no Γ’mbito escolar e como essas aΓ§Γ΅es sΓ£o percebidas, implementadas e vivenciadas.

O texto estΓ‘ estruturado em trΓͺs partes que se completam, alΓ©m da introduΓ§Γ£o e das consideraΓ§Γ΅es finais. Na primeira, dialoga-se acerca da gestΓ£o escolar, da participaΓ§Γ£o e do protagonismo estudantil como dimensΓ΅es importantes para a concretizaΓ§Γ£o de uma educaΓ§Γ£o emancipatΓ³ria. Na segunda parte, evidencia-se o Programa Parlamento Jovem Brasileiro, por meio das normatizaΓ§Γ΅es que o regulamentam. E, por fim, destacam-se as vozes dos participantes acerca das experiΓͺncias no Programa Parlamento Jovem Brasileiro.

II. A

A gestΓ£o escolar Γ© a dimensΓ£o da estrutura educacional, a qual viabiliza o processo de organizaΓ§Γ£o pedagΓ³gica, financeira, administrativa, relacional e social das prΓ‘ticas educativas estabelecidas no chΓ£o da escola. Desse modo, os princΓ­pios da autonomia, da descentralizaΓ§Γ£o e da participaΓ§Γ£o sΓ£o defendidos pelos dispositivos legais, que regulamentam a educaΓ§Γ£o nos Γ’mbitos nacional, estaduais e municipais (BRASIL, 1988; 1996; 2014).

A organizaΓ§Γ£o pedagΓ³gica, financeira, administrativa, relacional e social constitui-se como um processo complexo, pois demanda decisΓ΅es e compartilhamento do poder com a finalidade de concretizar os apelos e as diferentes visΓ΅es que permeiam o espaΓ§o escolar. Nessa configuraΓ§Γ£o, a participaΓ§Γ£o dos diferentes segmentos Γ© uma aΓ§Γ£o que mobiliza profissionais da educaΓ§Γ£o, pais, estudantes e as comunidades local e escolar para a organicidade das prΓ‘ticas desenvolvidas no chΓ£o da escola.

A gestΓ£o da escola em meio aos seus inΓΊmeros desafios apresenta, em sua base epistemolΓ³gica, o objetivo de contribuir para a organizaΓ§Γ£o do espaΓ§o escolar, em uma perspectiva crΓ­tica e emancipatΓ³ria, incluindo, nessa seara, todos os integrantes internos e externos. Na visΓ£o de LibΓ’neo (2004, p. 56), a escola tem o compromisso de:

Reduzir a distΓ’ncia entre a ciΓͺncia cada vez mais complexa e a formaΓ§Γ£o cultural bΓ‘sica a ser provida pela escolarizaΓ§Γ£o. O fortalecimento das lutas sociais e a conquista da cidadania dependem de uma ampliaΓ§Γ£o, cada vez mais, do nΓΊmero de pessoas que possam participar das decisΓ΅es primordiais que dizem respeito aos seus interesses.

A participaΓ§Γ£o, nesse contexto, Γ© um elo que possibilita a experiΓͺncia do compartilhamento das decisΓ΅es, assim como a vivΓͺncia da gestΓ£o democrΓ‘tica, concepΓ§Γ£o de gestΓ£o escolar defendida nos dispositivos legais, promovendo autonomia, mobilizaΓ§Γ£o social e estudantil e melhoria das propostas realizadas. A participaΓ§Γ£o, na visΓ£o de Bordenave (1983, p. 72-73), pode ser entendida como um processo sΓ³cio-humano e suscetΓ­vel de crescimento:

Ela pode ser aprendida e aperfeiΓ§oada pela prΓ‘tica e a reflexΓ£o. A qualidade da participaΓ§Γ£o se eleva quando as pessoas aprendem a conhecer a sua realidade; a refletir; a superar contradiΓ§Γ΅es reais ou aparentes; a identificar premissas subjacentes; a antecipar consequΓͺncias; a entender novos significados das palavras; a distinguir efeitos de causas, observaΓ§Γ΅es de inferΓͺncias e fatos de julgamentos. A qualidade da participaΓ§Γ£o aumenta tambΓ©m quando as pessoas aprendem a manejar conflitos; clarificar sentimentos e comportamentos; tolerar divergΓͺncias; respeitar opiniΓ΅es; adiar gratificaΓ§Γ΅es. A participaΓ§Γ£o Γ© incrementada quando as pessoas aprendem a organizar e coordenar encontros, assembleias e mutirΓ΅es; a formar comissΓ΅es de trabalho; pesquisar problemas; elaborar relatΓ³rios; usar meios e tΓ©cnicas de comunicaΓ§Γ£o.

Como Γ© possΓ­vel perceber, a participaΓ§Γ£o qualificada exige aΓ§Γ£o de todos os envolvidos, caracterizada como uma questΓ£o complexa, a qual requer atuaΓ§Γ£o, compromisso, experiΓͺncias e disposiΓ§Γ£o para atuar em prol do coletivo e das decisΓ΅es da maioria. A participaΓ§Γ£o qualificada Γ© a aΓ§Γ£o configurada nos princΓ­pios democrΓ‘ticos, os quais estΓ£o presentes nos dispositivos legais da educaΓ§Γ£o. Assim, o desenvolvimento da participaΓ§Γ£o na educaΓ§Γ£o, em todos os nΓ­veis, deve ser percebido como uma configuraΓ§Γ£o complexa, uma vez que ela tanto pode inibir e limitar aspectos de organizaΓ§Γ£o participativa, como pode estar condicionada a dimensΓ΅es burocrΓ‘ticas (GUTIERREZ, 2004).

Em meio Γ  complexidade da participaΓ§Γ£o, pode-se afirmar que "participar faz referΓͺncia Γ  possibilidade de um indivΓ­duo incorporar as prΓ‘ticas e as caracterΓ­sticas de um grupo mais amplo, de forma a vir a ser reconhecido e aceito como parte ou membro dele" (GUTIERREZ, 2004, p. 7). Na perspectiva da educaΓ§Γ£o, a participaΓ§Γ£o Γ© um princΓ­pio necessΓ‘rio para a conquista de espaΓ§o e de efetivaΓ§Γ£o dos anseios dos diferentes segmentos.

No Γ’mbito da atuaΓ§Γ£o estudantil, a participaΓ§Γ£o mobiliza diferentes caracterΓ­sticas aos envolvidos, possibilitando a autonomia e o desenvolvimento na luta por suas ideias e favorecendo uma organizaΓ§Γ£o estudantil com os princΓ­pios da coletividade e da mobilizaΓ§Γ£o social. Desse modo, a gestΓ£o escolar, preocupada com o desenvolvimento social e com a formaΓ§Γ£o integral dos estudantes, constrΓ³i espaΓ§os para a sua constante atuaΓ§Γ£o.

Neste sentido, consoante com Silva e Santos (2019), as diferentes formas de mobilizaΓ§Γ£o e de participaΓ§Γ£o dos estudantes nas decisΓ΅es escolares congregam-se no grΓͺmio estudantil, nas representaΓ§Γ΅es de turmas e na participaΓ§Γ£o ativa no planejamento dos projetos e nas experiΓͺncias de fortalecimento de causas e de lutas no cenΓ‘rio social. Para os pesquisadores (2019, p. 8):

No direcionamento da aΓ§Γ£o educativa do grΓͺmio estudantil, o estudante percebe novos valores do ambiente educacional que lhe cabe por direito, em um exercΓ­cio contΓ­nuo do protagonismo juvenil, expondo-se para as tomadas de decisΓ΅es escolares, contribuindo para sua formaΓ§Γ£o social.

Cabe fazer a ressalva de que a gestΓ£o escolar assume um papel importante para a abertura de um espaΓ§o polΓ­tico e ativo dos estudantes, mobilizando a sua organizaΓ§Γ£o, atuaΓ§Γ£o e apoiando-os em todos os processos propostos. A gestΓ£o escolar, neste sentido, cumpre os princΓ­pios estabelecidos na ConstituiΓ§Γ£o Federal de 1988, quando sinaliza a educaΓ§Γ£o como um direito social, possibilitando uma formaΓ§Γ£o integral nas diferentes dimensΓ΅es social, polΓ­tica, econΓ΄mica, cultural e educacional, bem como segue as diretrizes do atual Plano Nacional de EducaΓ§Γ£o, especificamente em sua meta 19, quando trata da criaΓ§Γ£o dos grΓͺmios estudantis.

O protagonismo estudantil Γ© o itinerΓ‘rio formativo que pode contribuir para a conquista dos espaΓ§os sociais apΓ³s a concretizaΓ§Γ£o da educaΓ§Γ£o bΓ‘sica, oportunizando a experiΓͺncia de atuaΓ§Γ£o em diferentes dimensΓ΅es, direcionando discussΓ΅es e compreendendo os caminhos sociais e polΓ­ticos que as decisΓ΅es macro e micro determinam para a sociedade, uma vez que a leitura de mundo e as suas experiΓͺncias na escola geram expectativas reflexivas concernentes ao alcance de atuaΓ§Γ΅es em diferentes campos sociais.

Na visΓ£o de Freire (2015, p. 45), as relaΓ§Γ΅es estabelecidas na sociedade sΓ£o importantes para a constituiΓ§Γ£o do ser polΓ­tico e social. Assim:

A partir das relaΓ§Γ΅es do homem com a realidade, resultantes de estar com ela e de estar nela, pelos atos de criaΓ§Γ£o, recriaΓ§Γ£o e decisΓ£o, vai ele dinamizando o seu mundo. Vai dominando a realidade. Vai humanizando-a. Vai acrescentando a ela algo de que ele mesmo Γ© o fazedor. Vai temporalizando os espaΓ§os geogrΓ‘ficos. Faz cultura. E Γ© ainda o jogo destas relaΓ§Γ΅es do homem com o mundo e do homem com os homens, desafiado e respondendo ao desafio, alterando, criando, que nΓ£o permite a imobilidade, a nΓ£o ser em termos de relativa preponderΓ’ncia, nem das sociedades nem das culturas. E, Γ  medida que cria, recria e decide, vΓ£o se conformando as Γ©pocas histΓ³ricas. Γ‰ tambΓ©m criando, recriando e decidindo que o homem deve participar destas Γ©pocas.

De um modo geral, a participação dos estudantes no contexto das reflexáes e discussáes sociais é o itinerÑrio para a construção de pessoas ativas, abertas ao diÑlogo e às perspectivas contrÑrias as suas ideias, portanto, contribuir para açáes desse porte é o caminho da educação e, consequentemente, da gestão escolar. Os estudantes necessitam de açáes escolares que favoreçam a sua autonomia e o seu protagonismo no dinamismo na prÑtica formativa (LÜCK, 2013).

Para Durkheim (2013, p. 78), "a educaΓ§Γ£o vigente em determinada sociedade e considerada em determinado momento de sua evoluΓ§Γ£o Γ© um conjunto de prΓ‘ticas, maneiras de agir e costumes que constituem fatos praticamente definidos e tΓ£o reais como os outros fatos sociais". Dessa forma, Γ© possΓ­vel construir aΓ§Γ΅es que mobilizem os estudantes para a atuaΓ§Γ£o em projetos, grΓͺmios estudantis, nos momentos de decisΓ΅es e na construΓ§Γ£o de prΓ‘ticas reflexivas que contribuam para o engajamento nas dimensΓ΅es polΓ­tica e social.

A educaΓ§Γ£o centrada no protagonismo estudantil estΓ‘ vinculada ao paradigma da educaΓ§Γ£o como caminho para a transformaΓ§Γ£o social, congregando aΓ§Γ΅es que estΓ£o presentes no diΓ‘logo, na atuaΓ§Γ£o, no movimento, na escuta, na empatia, sinalizando que os itinerΓ‘rios formativos da juventude devem conter princΓ­pios de mobilizaΓ§Γ£o e experiΓͺncias de cidadania (KILPATRICK, 1996). De um modo geral, a dinamicidade do processo formativo, envolvendo os estudantes, Γ© a perspectiva para a construΓ§Γ£o do protagonismo e do desenvolvimento juvenil.

As polΓ­ticas e os programas no Brasil tΓͺm incentivado a participaΓ§Γ£o dos estudantes em diferentes frentes. AlΓ©m das proposiΓ§Γ΅es sinalizadas no atual Plano Nacional de EducaΓ§Γ£o, na meta 19, que trata da gestΓ£o democrΓ‘tica, sobre a importΓ’ncia do grΓͺmio estudantil, como mecanismo de aΓ§Γ£o do estudante na concretizaΓ§Γ£o da gestΓ£o participativa, hΓ‘ programas, como o Parlamento Jovem Brasileiro, que incentivam os estudantes do ensino mΓ©dio a desenvolverem projetos para serem discutidos na CΓ’mara Federal, evidenciando o protagonismo do jovem como difusor de ideias para o avanΓ§o polΓ­tico e social do paΓ­s.

Na prΓ³xima seΓ§Γ£o, dialoga-se acerca do PJB, apresentando os seus princΓ­pios e as suas normatizaΓ§Γ΅es, por meio da resoluΓ§Γ£o nΓΊmero 12, de 18 de novembro de 2003, e do regimento interno aprovado pela CΓ’mara Federal em 25 de outubro de 2004.

III. O Programa Parlamento Jovem

O PJB foi idealizado no Γ’mbito da CΓ’mara Federal, com o objetivo de "possibilitar aos alunos de escolas pΓΊblicas e particulares a vivΓͺncia do processo democrΓ‘tico mediante participaΓ§Γ£o em uma jornada parlamentar na CΓ’mara dos Deputados, com diplomaΓ§Γ£o, posse e exercΓ­cio do mandato" (Art. 2; ResoluΓ§Γ£o 12, 2003). De acordo com o regimento do Programa, em seu artigo 2, "o Parlamento Jovem Brasileiro reunir-se-Γ‘ todos os anos, no segundo semestre, em data a ser definida anualmente pela Mesa da CΓ’mara dos Deputados, ouvido o ColΓ©gio de LΓ­deres". Assim:

O programa Γ© coordenado por uma ComissΓ£o Organizadora, que Γ© formada por servidores do Centro de FormaΓ§Γ£o, Treinamento e AperfeiΓ§oamento (CEFOR), responsΓ‘veis por sua coordenaΓ§Γ£o pedagΓ³gica, com o planejamento e a implementaΓ§Γ£o das atividades da programaΓ§Γ£o, e por servidores da Secretaria de ParticipaΓ§Γ£o, InteraΓ§Γ£o e MΓ­dias Digitais (SEMID), responsΓ‘veis pela divulgaΓ§Γ£o do programa e por todas as operaΓ§Γ΅es logΓ­sticas (GUIA, 2020, p. 6).

A resoluΓ§Γ£o que regulamentou o PJB apresenta que o papel do Programa Γ© contribuir para o envolvimento dos estudantes em questΓ΅es que tratem de autonomia, da criatividade e do desenvolvimento ntelectual, de modo que favoreΓ§a um processo de aprendizagem polΓ­tico, repercutindo em seu estado, seu municΓ­pio e em sua escola. Dessa forma, o PJB pode oportunizar a formaΓ§Γ£o cidadΓ£ dos estudantes, na perspectiva de favorecer o protagonismo estudantil em suas mΓΊltiplas dimensΓ΅es. Espera-se que a formaΓ§Γ£o integral de um indivΓ­duo crΓ­tico, autΓ΄nomo, participativo e reflexivo, seja contemplada pela educaΓ§Γ£o formal e, nesse contexto, o PJB incentiva a possibilidade de que diferentes escolas possam contribuir com experiΓͺncias diferenciadas na vida dos estudantes. Neste sentido:

O Parlamento Jovem Brasileiro Γ© um programa que busca contribuir para o desenvolvimento de uma das dimensΓ΅es de nossa cidadania, que Γ© o conhecimento sobre como se organiza a nossa democracia representativa, assim como a importΓ’ncia da participaΓ§Γ£o e do controle social (PJB, 2020).

O PJB possibilita que os estudantes tenham um olhar para a realidade social que estΓ‘ em seu entorno e possam refletir sobre as possΓ­veis soluΓ§Γ΅es em relaΓ§Γ£o aos entraves vivenciados. Cabe destacar que, com a criaΓ§Γ£o de projetos polΓ­ticos, os estudantes iniciam um projeto de reflexΓ£o sobre o papel dos governos, das organizaΓ§Γ΅es e dos cidadΓ£os, enquanto entes participantes da democracia brasileira. A congregaΓ§Γ£o dessas experiΓͺncias torna-se importante para o itinerΓ‘rio formativo, descobrindo potencialidades em seus diferentes participantes, destacando-se o "domΓ­nio da linguagem, compreensΓ£o de fenΓ΄menos, enfrentamento de situaΓ§Γ΅es-problema, construΓ§Γ£o de argumentaΓ§Γ£o e elaboraΓ§Γ£o de propostas" (PJB, 2020).

O desenvolvimento de prΓ‘ticas educativas que busquem a participaΓ§Γ£o e o protagonismo estudantil favorece a construΓ§Γ£o da autonomia dos envolvidos (MARTINS, 2002), sinalizando aΓ§Γ΅es futuras e disseminando oportunidades para a compreensΓ£o da complexidade polΓ­tica no Γ’mbito das decisΓ΅es. AlΓ©m desse aspecto, ficam em evidΓͺncia "a preocupaΓ§Γ£o com a gestΓ£o democrΓ‘tica e equΓ’nime do Estado na busca da qualidade e a conquista da gestΓ£o democrΓ‘tica como condiΓ§Γ£o necessΓ‘ria para a autonomia e o protagonismo estudantil" (MARTINS, 2002, p. 22).

A concretizaΓ§Γ£o do Programa no Γ’mbito da escola dΓ‘-se ao longo de trΓͺs etapas. Na primeira, o estudante deverΓ‘ elaborar um Projeto de Lei e apresentΓ‘-lo no ato de sua inscriΓ§Γ£o. Na segunda etapa, Γ© feita uma seleΓ§Γ£o pela Secretaria Estadual de EducaΓ§Γ£o dos projetos que estΓ£o nos parΓ’metros estabelecidos pelo Programa, de acordo com o nΓΊmero de vagas disponibilizadas no estado. ApΓ³s a prΓ©- seleΓ§Γ£o, na etapa estadual, os projetos sΓ£o enviados Γ  CΓ’mara dos Deputados, com a finalidade de serem avaliados de acordo com os critΓ©rios estabelecidos no Guia do Programa de cada ano. O regimento do Programa, em seu artigo 3, apresenta que "o Parlamento Jovem Brasileiro serΓ‘ composto de 78 (setenta e oito) deputados, selecionados em cada Estado e no Distrito Federal, com o nΓΊmero de representantes proporcional Γ s bancadas parlamentares de cada unidade da FederaΓ§Γ£o".

A ΓΊltima etapa a ser vivenciada pelos estudantes Γ© a jornada do parlamentar jovem, na qual os autores dos projetos selecionados sΓ£o empossados como Jovens Deputados, tendo a possibilidade de passar cinco dias na CΓ’mara Federal, vivenciando a rotina de um deputado federal. O quantitativo de estudantes que se insere na ΓΊltima etapa do Programa Γ© significativo e tem uma expressiva representaΓ§Γ£o, a depender do estado. No quadro 1 (um), pode-se perceber esse quantitativo:

Quadro 1: Vagas para deputados jovens por unidade da federaΓ§Γ£o

VAGAS PARA DEPUTADOS JOVENS - PJB
UNIDADE FEDERATIVABANCADA ESTADUAL NA CΓ‚MARA DOS DEPUTADOSNUΓ‘ERO DE DEPUTADOS JOVENS
ACRE81
ALAGOAS91
AMAPÁ81
AMAZONAS81
BAHIA396
CEARÁ223
DISTRITO FEDERAL81
ESPÍRITO SANTO102
GOIÁS173
MARANHAO183
MATO GROSSO81
MATO GROSSO DO SUL81
MINAS GERAIS538
PARÁ173
PARAÍBA122
PARANA305
PERNAMBUCO254
PIAUÍ102
RIO DE JANEIRO467
RIO GRANDE DO NORTE81
RONDΓ”NIA81
RORAIMA81
RIO GRANDE DO SUL315
SANTA CATARINA162
SΓ£o PAULO7011
SERGIPE81
TOCANTINS81
TOTAL51378

De um modo geral, Γ© possΓ­vel perceber, no PJB, potencialidades para o desenvolvimento dos estudantes, mesmo para os que nΓ£o sΓ£o prΓ©- selecionados na etapa estadual e os selecionados na etapa final. Todo o processo Γ© pertinente, permitindo desenvolver habilidades e competΓͺncias, as quais retratam reflexΓ΅es para a cidadania, o bem estar coletivo, a consciΓͺncia acerca de questΓ΅es problemΓ‘ticas na sociedade, entre outras. AlΓ©m disso, o Programa convoca os estudantes a serem participativos na proposiΓ§Γ£o de medidas para sanar problemas que estΓ£o a sua volta, possibilitando-lhes serem autores de suas prΓ³prias histΓ³rias. Dessa forma, o programa favorece o protagonismo estudantil, envolvendo a juventude em questΓ΅es que demandam reflexΓ΅es, construΓ§Γ΅es coletivas, defesas de projetos e de ideias.

Nesse cenΓ‘rio de construΓ§Γ£o de itinerΓ‘rios formativos, cabe destacar o papel dos diferentes segmentos, enfatizando a gestΓ£o escolar e os professores. Acerca dessa questΓ£o, Campos (2010, p. 111) menciona que:

Os professores nΓ£o devem possuir apenas a capacidade de ensinar, mas tambΓ©m a de transformar o conhecimento cientΓ­fico em conhecimento a ser ensinado. Esse fenΓ΄meno no ensino denomina-se transposiΓ§Γ£o didΓ‘tica, que significa a transformaΓ§Γ£o do conhecimento cientΓ­fico em conteΓΊdos de ensino. Para que isso ocorra, o professor cria e recria, inventa e reinventa o processo pedagΓ³gico. Os professores como profissionais sΓ£o crΓ­ticos e reflexivos dos conteΓΊdos do trabalho docente, das situaΓ§Γ΅es didΓ‘ticas, da organizaΓ§Γ£o das tarefas e da organizaΓ§Γ£o escolar.

A dinΓ’mica escolar Γ© complexa e requer distintas habilidades para o processo de ensino e aprendizagem. Para a existΓͺncia do protagonismo estudantil, Γ© necessΓ‘rio o desempenho das habilidades de todos os envolvidos na construΓ§Γ£o do espaΓ§o escolar, viabilizando oportunidades criativas nas relaΓ§Γ΅es estabelecidas no Γ’mbito das propostas educativas. Γ‰ importante que a gestΓ£o escolar, os professores e os estudantes possam estar em constante diΓ‘logo e criem alternativas de envolvimento, de participaΓ§Γ£o e de resoluΓ§Γ£o dos conflitos.

Sobre a participaΓ§Γ£o dos estudantes na escola, MunΓ΅z (2004, p. 91-92) afirma que:

Participar Γ© tomar partido em alguma coisa. Γ‰ fazer parte de alguma coisa. Participar Γ© organizar-se com outros para ser responsΓ‘veis conjuntamente pelo mΓ‘ximo de aspectos que constituem a nossa vida. Participar Γ© sentir-se soberano. Participar Γ© algo polΓ­tico, um jogo democrΓ‘tico. Participar nΓ£o Γ© uma finalidade, mas um meio que nos ajuda a tomar consciΓͺncia da realidade. Participar Γ© ser protagonista e solidΓ‘rio ao mesmo tempo, para mudar a partir do compartilhar. Participar Γ© a capacidade de dar e de receber. Participar Γ© a capacidade de assumir dificuldades, incΓ΄modos e gozar a vida. Participar supΓ΅e enviar uma mensagem e acompanhΓ‘-la com alguma aΓ§Γ£o. Participar nΓ£o Γ© apenas decidir, mas trabalhar. Participar nΓ£o Γ© sΓ³ falar, Γ© tambΓ©m ouvir. Participar Γ© acreditar que o projeto Γ© importante.

O exercΓ­cio da participaΓ§Γ£o e do envolvimento no dia a dia das questΓ΅es escolares Γ© uma dimensΓ£o importante e necessΓ‘ria para ser vivenciada pelos estudantes, com a finalidade de incentivΓ‘-los a serem atuantes na escola e na sociedade. Neste sentido, a compreensΓ£o das dimensΓ΅es polΓ­tica e social que permeiam o espaΓ§o escolar e as diferentes instΓ’ncias sociais Γ© o caminho para a efetivaΓ§Γ£o do protagonismo estudantil nas relaΓ§Γ΅es estabelecidas no Γ’mbito da prΓ‘tica pedagΓ³gica.

Demo e Silva (2020) revelam que 0 protagonismo estudantil Γ© uma dimensΓ£o favorΓ‘vel para atuaΓ§Γ£o dos estudantes, porΓ©m, nas prΓ‘ticas educacionais da maioria das escolas, isso ainda nΓ£o Γ© uma realidade. Programas como o Parlamento Jovem Brasileiro, que permitem aos estudantes vivenciarem, no interior da escola, os benefΓ­cios de serem protagonistas, sΓ£o catalisadores do processo de implementaΓ§Γ£o dessa cultura nas escolas brasileiras, pois, propiciam aos estudantes a oportunidade de se localizar enquanto membros ativos e participantes de uma sociedade com a qual hΓ‘ uma relaΓ§Γ£o de direitos e deveres. Para alΓ©m dos currΓ­culos, o protagonismo estudantil deve chegar na ponta; facultando aos alunos, a possibilidade de aprenderem como autores (DEMO; SILVA, 2020).

a) As revelaΓ§Γ΅es das vozes dos participantes

O pΓΊblico participante da pesquisa foi dividido em duas partes. A primeira, de profissionais da educaΓ§Γ£o, sendo dois professores, dois coordenadores pedagΓ³gicos e o gestor escolar, totalizando cinco participantes. A segunda parte foi formada por estudantes, compondo um total de 15, os quais participaram ativamente no PJB na escola no perΓ­odo de 2014 a 2020.

Em relaΓ§Γ£o aos profissionais, todos tΓͺm formaΓ§Γ£o superior (Licenciatura Plena em EducaΓ§Γ£o FΓ­sica; Licenciatura plena em letras/portuguΓͺs; Pedagogia; Filosofia; Licenciatura em Letras - LΓ­ngua Inglesa e Literaturas de LΓ­ngua Inglesa). Quatro deles sΓ£o profissionais efetivos e um Γ© contratado pelo estado, por meio do processo seletivo. Todos os participantes trabalham na escola hΓ‘ mais de dois anos. Para efeito de indicaΓ§Γ£o das vozes dos profissionais da educaΓ§Γ£o, foram denominados de profissional 1 (P1), profissional 2 (P2), sucessivamente.

Sobre os perfis dos estudantes, nove participantes sΓ£o do sexo masculino e seis, do sexo feminino, sendo que nove residem na zona rural e seis, na zona urbana. Do total dos 15 estudantes, seis afirmaram nΓ£o ter sido selecionado em nenhuma das etapas do projeto, quatro foram selecionados na etapa estadual (prΓ©-seleΓ§Γ£o); e cinco selecionados na ΓΊltima etapa, indo vivenciar no Congresso Nacional uma experiΓͺncia importante para a sua formaΓ§Γ£o cidadΓ£. Para efeito de indicaΓ§Γ£o das vozes dos estudantes, foram denominados de estudante 1 (E1), estudante 2 (E2), estudante 3 (E3), [..], estudante 15 (E15).

Como jΓ‘ indicado, foram aplicados dois questionΓ‘rios, os quais buscavam compreender as vivΓͺncias e as aΓ§Γ΅es desenvolvidas pela escola para o sucesso do protagonismo estudantil nas diferentes experiΓͺncias dos estudantes, em particular no PJB. Em relaΓ§Γ£o a esse aspecto, foi perguntado aos profissionais da educaΓ§Γ£o as suas concepΓ§Γ΅es sobre o protagonismo estudantil e a sua relevΓ’ncia para a formaΓ§Γ£o dos estudantes.

Compreendendo que o estudante Γ© o ator principal no processo ensino-aprendizagem, capaz de ir atrΓ‘s do conhecimento e de participar na tomada de decisΓ΅es, de dar sua opiniΓ£o...ser participativo, dessa forma, contribuirΓ‘ e muito para sua formaΓ§Γ£o integral (P1).

O protagonismo estudantil acontece quando Γ© despertado no estudante o sentimento de pertencimento pela escola ou comunidade, levando-o a buscar meios de fazer a diferenΓ§a dentro ou fora do ambiente escolar (P2).

Γ‰ colocar o aluno como centro de todas as etapas do processo de ensino, tendo um papel ativo, contribuindo para a formaΓ§Γ£o de cidadΓ£os autΓ΄nomos e comprometidos socialmente (P3).

Um conjunto de atitudes que envolvem mobilizaΓ§Γ£o na busca de interesses de um coletivo e que nesse processo acontece a auto formaΓ§Γ£o que contribui Γ  formaΓ§Γ£o integral do indivΓ­duo (P4).

Na minha concepΓ§Γ£o, o protagonismo estudantil Γ© quando o estudante consegue transformar a sua realidade atravΓ©s de aΓ§Γ΅es e conhecimentos construΓ­dos na escola. Em outras palavras, seria dar "voz" ao estudante para que ela possa transformar o mundo ao seu redor. O protagonismo estudantil contribui para a formaΓ§Γ£o integral dos estudantes, uma vez que ele nΓ£o termina a etapa escolar apenas com conhecimentos teΓ³ricos e preparados para testes ou mercado de trabalho. O protagonismo permite que o estudante desenvolva o senso crΓ­tico e amplie sua visΓ£o, na ideia em que ele Γ© o protagonista de sua histΓ³ria (P5).

A presenΓ§a dos estudantes nos diferentes processos na escola configura-se como uma dimensΓ£o necessΓ‘ria para consolidar o protagonismo estudantil. Como sinalizado pelos participantes, por meio da abertura para a atuaΓ§Γ£o dos estudantes no Γ’mbito do planejamento e da vivΓͺncia de experiΓͺncias mΓΊltiplas, pode-se evidenciar a formaΓ§Γ£o integral, permitindo a alusΓ£o de uma consciΓͺncia crΓ­tica, polΓ­tica, social e cultural. Essas prΓ‘ticas escolares sΓ£o defendidas por MunΓ΅z (2004), quando indica que a participaΓ§Γ£o por meio de debates, intervenΓ§Γ΅es e votaΓ§Γ΅es expressa o orgulho do protagonismo, mas, sobretudo, a vivΓͺncia da cidadania.

A consolidaΓ§Γ£o do protagonismo estudantil Γ© uma aΓ§Γ£o necessΓ‘ria para a indicaΓ§Γ£o da qualidade da educaΓ§Γ£o (MUNΓ΅z, 2004), uma vez que uma das tarefas da escola/educaΓ§Γ£o Γ© preparar para a atuaΓ§Γ£o na sociedade em suas mΓΊltiplas dimensΓ΅es. Na concepΓ§Γ£o de MunΓ΅z (2004, p. 94), "possibilitar espaΓ§os e oportunidades de mΓΊtua educaΓ§Γ£o continuada entre crianΓ§as, jovens e adultos, enfatizando a participaΓ§Γ£o" e "estimular a criaΓ§Γ£o de Γ³rgΓ£o de Γ³rgΓ£os de representaΓ§Γ£o infanto-juvenil" favorecem a proposta da gestΓ£o democrΓ‘tica, defendida nos dispositivos legais (CF/1988; LDB/1996; PNE 2014/2024).

Os profissionais da educaΓ§Γ£o, participantes da pesquisa, sinalizaram que as prΓ‘ticas curriculares que sΓ£o propostas para a promoΓ§Γ£o do protagonismo estudantil coadunam com os anseios dos estudantes.

A escola promove vΓ‘rios eventos ao longo ano letivo, como quermesse, jogos esportivos, feiras de ciΓͺncias e linguagens... que tΓͺm contribuΓ­do para o protagonismo juvenil (P1).

A promoΓ§Γ£o de projetos interdisciplinares, bem como o incentivo Γ  participaΓ§Γ£o em eventos extra escolares (P2).

A escola promove uma gestΓ£o democrΓ‘tica, assegurando a participaΓ§Γ£o dos alunos nas reuniΓ΅es, discussΓ΅es e decisΓ΅es da escola. Os alunos participam dos conselhos escolares e planejam juntamente com a escola alguns trabalhos e projetos que sΓ£o desenvolvidos no decorrer do ano (P3).

CriaΓ§Γ£o de identidades como lΓ­deres de turma, grΓͺmio estudantil, realizaΓ§Γ£o de projetos culturais como feiras, saraus etc. (P4).

A escola desenvolve projetos cientΓ­ficos, artΓ­sticos e culturais, tais como SimpΓ³sios, Feira de CiΓͺncias, projetos interdisciplinares e principalmente o incentivo dos estudantes a participar de concursos de redaΓ§Γ£o (P5).

As aΓ§Γ΅es apontadas pelos profissionais trazem Γ  tona as diferentes estratΓ©gias desenhadas para a concretizaΓ§Γ£o da efetivaΓ§Γ£o do protagonismo estudantil, por meio da atuaΓ§Γ£o ativa nos diferentes espaΓ§os e momentos. Para Gutierrez (2004, p. 15), "a participaΓ§Γ£o pode ser vista de duas formas distintas: enquanto prΓ‘tica pedagΓ³gica, ou como conteΓΊdo de uma disciplina/atividade". O incentivo Γ  participaΓ§Γ£o, como princΓ­pio da prΓ‘tica pedagΓ³gica, Γ© o caminho para a construΓ§Γ£o da autonomia dos estudantes e o desenvolvimento de aΓ§Γ΅es pertinentes ao processo de ensino e de aprendizagem.

No contexto da gestΓ£o escolar, os participantes destacaram que o PJB:

A meu ver, Γ© um programa de fundamental importΓ’ncia para o engajamento dos jovens, pois, atravΓ©s dele, o estudante amplia sua visΓ£o sobre a cidadania e o processo legislativo. Ademais, o programa permite que o estudante explore e desenvolva suas habilidades de escrita (P1).

O programa Γ© muito importante, pois valoriza as ideias e habilidades dos alunos, incentivando uma participaΓ§Γ£o ativa na polΓ­tica e no processo democrΓ‘tico (P3).

Toda a escola atua na conscientizaΓ§Γ£o da importΓ’ncia de uma democracia participativa. Professores e gestores estimulam a participaΓ§Γ£o no programa, sendo de suma importΓ’ncia. SΓ£o atividades extra e voluntΓ‘ria dentro do espaΓ§o escolar. Uma verdadeira aula prΓ‘tica de democracia (P4).

O incentivo Γ  participaΓ§Γ£o dos estudantes em programas, como o PJB, Γ© papel da escola e de seus diferentes profissionais, uma vez que contribui para a construΓ§Γ£o do protagonismo juvenil, bem como favorece o envolvimento da juventude em questΓ΅es polΓ­ticas e sociais que fazem parte do dia a dia da populaΓ§Γ£o, e, muitas vezes, sΓ£o despercebidas pela falta de conhecimento, como Γ© o caso das legislaΓ§Γ΅es. Na visΓ£o de Gutierrez (2004, p. 14), prΓ‘ticas curriculares com esses desenhos, possibilitam "a construΓ§Γ£o da consciΓͺncia de forma autΓ΄noma para o exercΓ­cio pleno da cidadania".

As vozes dos profissionais, especialmente dos professores, que lidam diariamente com os estudantes e os processos de ensino e de aprendizagem, apontam que hΓ‘ algumas dificuldades de desenvolvimento de aΓ§Γ΅es enfrentadas no processo de orientaΓ§Γ£o para a vivΓͺncia do PJB:

SΓ£o inΓΊmeras as dificuldades, principalmente o fato de muitos alunos nΓ£o se disporem a estudar no contraturno, alΓ©m disso, hΓ‘ tambΓ©m o fato de a maioria dos professores nΓ£o ter disponibilidade de tempo e a gestΓ£o nΓ£o colaborar na flexibilizaΓ§Γ£o de horΓ‘rios. Muitas vezes, para superar tal dificuldade, os alunos sΓ£o levados para estudar na casa do prΓ³prio professor. ExigΓͺncias de mais tempo de estudo e trabalho fora de carga horΓ‘ria, encontros... (P2) As principais dificuldades estΓ£o relacionadas Γ  falta de interesse de alguns estudantes sobre temΓ‘ticas referentes Γ  polΓ­tica brasileira e atΓ© mesmo sobre democracia. Eu tento superar essas dificuldades atravΓ©s das aulas iniciais, as quais eu busco discutir e demostrar a relevΓ’ncia dessa temΓ‘tica para uma sociedade democrΓ‘tica (P5).

Conforme assinalado pelos professores, diferentes aspectos prejudicam a efetivaΓ§Γ£o de uma construΓ§Γ£o consubstancial de prΓ‘ticas pedagΓ³gicas. Pelos depoimentos dos envolvidos, a questΓ£o do tempo, do espaΓ§o e o papel da gestΓ£o escolar sΓ£o expressΓ΅es que soam como artefatos que desfavorecem a atuaΓ§Γ£o mais efetiva no processo de construΓ§Γ£o dos projetos dos estudantes. Desse modo, reflete-se sobre a importΓ’ncia da existΓͺncia de escolas de tempo integral, as quais apresentam estrutura, tempo e espaΓ§o fΓ­sico para a consolidaΓ§Γ£o de aΓ§Γ΅es prΓ³prias que deem suporte Γ s diferentes prΓ‘ticas pedagΓ³gicas.

O despertar para a consciΓͺncia da relevΓ’ncia da participaΓ§Γ£o e da presenΓ§a dos diferentes segmentos na polΓ­tica e na compreensΓ£o de seu processo organizativo Γ© o caminho para cativar os jovens ao engajamento e Γ  perspicΓ‘cia de criaΓ§Γ£o de projetos para resoluΓ§Γ£o dos conflitos/problemas sociais, uma vez que "a participaΓ§Γ£o Γ© uma habilidade que se aprende e se aperfeiΓ§oa" (BORDENAVE, 1983, p. 46), com a construΓ§Γ£o de alternativas que deem condiΓ§Γ΅es de sua existΓͺncia, pois a participaΓ§Γ£o Γ© um ato polΓ­tico (FREIRE, 2015), que repercute na vida cotidiana de todas as pessoas.

As vozes dos estudantes revelam que as aΓ§Γ΅es desenvolvidas na escola possibilitam a participaΓ§Γ£o em diferentes atividades que compreendem mΓΊltiplos aspectos, importantes ao engajamento e ao desenvolvimento do estudante.

Sim, sempre participei de concursos de redaΓ§Γ£o, da organizaΓ§Γ£o dos eventos escolares, reuniΓ΅es, dentre outros (E1).

Sim. ApresentaΓ§Γ΅es em atividades lanΓ§adas pela escola como: palestras, dinΓ’micas, apresentaΓ§Γ΅es com temas, feira de ciΓͺncias etc. (E2).

Sim. AlΓ©m das atividades referentes ao desenvolvimento de projetos para o PJB, participei de feiras de ciΓͺncias e gincanas de matemΓ‘tica (E9).

Sim. Do PJB, da OlimpΓ­ada de LΓ­ngua Portuguesa Escrevendo o Futuro, Jovem Senador (E10).

Sim. Desde quando entrei no Ensino MΓ©dio procurei me dedicar ao mΓ‘ximo a todas as atividades propostas pela escola. AlΓ©m das atividades cotidianas, que sΓ£o comum [sic] a todas as escolas, eu tive a oportunidade de participar de diversas atividades. Dentre elas, as que mais me destaquei foram nos concursos de produΓ§Γ£o textual, tais como Parlamento Jovem Brasileiro, Jovem Senador, OlimpΓ­ada de LΓ­ngua Portuguesa etc. AlΓ©m disso, no perΓ­odo que cursei o Ensino MΓ©dio, a escola contava com o apoio do Programa de Ensino MΓ©dio Inovador ProEMI, o qual permitiu que a instituiΓ§Γ£o realizar [sic] diversos eventos artΓ­sticos, cientΓ­ficos e culturais. E durante esse perΓ­odo pude atuar como monitor atravΓ©s do programa Jovem de Futuro (E14).

Sim. Jovem Senador, OlimpΓ­ada Piauiense de PortuguΓͺs, olimpΓ­ada de lΓ­ngua portuguesa. CΓ’mara mirim (E15).

Conforme jΓ‘ apontado, a participaΓ§Γ£o e o envolvimento dos estudantes sΓ£o relevantes para a formaΓ§Γ£o de indivΓ­duos socialmente ativos e participativos, preparados para usufruir a plena cidadania (GUTIERREZ, 2004). Ademais, cabe ao grupo gestor, bem como aos professores, o incentivo Γ  participaΓ§Γ£o dos estudantes. Os aspectos sinalizados pelos estudantes evidenciam a forma dinΓ’mica de organicidade da polΓ­tica escolar, a qual contribui para que os estudantes se envolvessem nos processos escolares, favorecendo a aprendizagem e as mΓΊltiplas possibilidades de engajamento juvenil.

Em relaΓ§Γ£o ao processo de engajamento juvenil, tendo a escola como campo de aΓ§Γ£o, os depoimentos dos estudantes evidenciaram as suas percepΓ§Γ΅es sobre os esforΓ§os institucionais para garantir oportunidade de atuaΓ§Γ£o e o sucesso nas atividades.

Com certeza, a escola alΓ©m de ter me proporcionado Γ³timas oportunidades, ainda ajudou a me abrir para conhecer coisas novas, a saber me posicionar perante a sociedade (pensar fora da caixinha). (E1).

Sim, pois a mesma sempre nos atualizava sobre as oportunidades destinadas a jovens protagonistas em programas para as escolas, alΓ©m de atividades, atΓ© mesmo em sala de aula, que nos estimulavam a ser um protagonista (E2).

Sim, porquanto foi na escola que eu fui estimulado a participar de programas estudantis que me proporcionaram uma grande evoluΓ§Γ£o intelectual e como cidadΓ£o. Ao me apresentar possibilidades que iam muito alΓ©m da sala de aula, a escola abriu todo um leque de possibilidades para a minha vida acadΓͺmica e mesmo profissional, pois participar de programas como o PJB acabou agregando ao meu conhecimento coisas que raramente sΓ£o aprendidas em sala de aula (E9).

Sim, atravΓ©s do incentivo por parte dos professores e da oferta de oportunidades que auxiliam o desenvolvimento pleno de habilidades de escrita, oratΓ³ria e sociais, tabu para a grande maioria do corpo discente (E13).

Sem dΓΊvidas a referida escola contribuiu muito para meu protagonismo. Quando eu ingressei nessa instituiΓ§Γ£o eu nΓ£o tinha muitas perspectivas, queria apenas terminar "os estudos" assim como pensam grande parte dos jovens da minha regiΓ£o. No entanto, conheci professores que me mostraram o quanto Γ© prazeroso e importante o processo de aprendizagem. A partir de entΓ£o eu comecei a me dedicar cada vez mais e aproveitar todas as oportunidades que surgiam. Γ‰ importante destacar que todos os professores e agentes dessa escola contribuΓ­ram muito para meu protagonismo, entretanto, a professora de LΓ­ngua Portuguesa da 1 a sΓ©rie foi a que mais me motivou atravΓ©s de suas prΓ‘ticas pedagΓ³gicas. A maneira que ela ensinava e se preocupava era diferente. Ela conseguia explorar nossas habilidades, sem que percebΓͺssemos. Na verdade, foi ela que me orientou e esteve ao meu lado durante toda a minha jornada no Ensino MΓ©dio (E14).

Os depoimentos dos estudantes mostram que a participaΓ§Γ£o Γ© o elemento gerador para a concretizaΓ§Γ£o do protagonismo. As experiΓͺncias expostas pelos estudantes vΓ£o ao encontro da perspectiva defendida por MunΓ΅z (2004, p. 91), quando este salienta que "participar Γ© ser protagonista e solidΓ‘rio ao mesmo tempo, para mudar a partir do compartilhar". Os destaques dos estudantes relevam a importΓ’ncia da atuaΓ§Γ£o dos diferentes profissionais para assegurar uma educaΓ§Γ£o que faΓ§a sentindo e construa itinerΓ‘rios formativos propΓ­cios ao engajamento e ao protagonismo estudantil.

De acordo com os discentes, a promoΓ§Γ£o do protagonismo estudantil estΓ‘ interligada ao incentivo de prΓ‘ticas que extrapolem a sala de aula, estΓ‘ vinculada ao participar, ao ouvir e ser ouvido, ao fazer, enfim, a ser autor de suas prΓ³prias histΓ³rias. A construΓ§Γ£o de propostas pedagΓ³gicas que tenham como centro a escuta aos estudantes Γ© uma dimensΓ£o propΓ­cia para a efetivaΓ§Γ£o da concepΓ§Γ£o de gestΓ£o democrΓ‘tica, bem como Γ  consolidaΓ§Γ£o de aΓ§Γ΅es que tenham como centro os anseios dos estudantes. Na visΓ£o deles, para a concretizaΓ§Γ£o do protagonismo sΓ£o necessΓ‘rias distintas propostas, destacando-se:

AlΓ©m do conteΓΊdo didΓ‘tico jΓ‘ aplicado, acredito que as aulas prΓ‘ticas ajudam muito, bem como a apresentaΓ§Γ£o de seminΓ‘rios, onde o aluno Γ© posto como protagonista mesmo. A responsabilidade por organizar eventos escolares, que, de certa forma, Γ© uma capacitaΓ§Γ£o. A participaΓ§Γ£o da escola em concursos estaduais e nacionais, que estimulam os alunos a se destacarem, dentre muitas outras atividades (E1).

RedaΓ§Γ΅es e atividades como o PJB, onde os jovens podem expressar a sua visΓ£o do mundo e elaborar soluΓ§Γ΅es para os problemas que os cercam (E7).

Eventos de cunho social, ambiental, econΓ΄mico etc. Incentivando, assim, sempre perspectivas diferentes e bem promissoras provindas do pΓΊblico jovem (E8).

Programas de estΓ­mulo Γ  leitura; ao pensamento crΓ­tico; Γ  produΓ§Γ£o cientΓ­fica; Γ  participaΓ§Γ£o polΓ­tico-social, tanto no ambiente escolar quanto fora dele; e atividades que deem destaque Γ queles alunos mais aplicados (E9).

Atividades que coloquem os alunos como lΓ­deres, atividades que faΓ§am com que os alunos se coloquem a frente, dando, talvez, sua prΓ³pria opiniΓ£o (E10)

A meu ver, para que o protagonismo estudantil seja alcanΓ§ado, Γ© necessΓ‘rio que a escola mostre aos discentes que a educaΓ§Γ£o vai alΓ©m da sala de aula. Γ‰ fundamental que a escola desenvolva projetos que mostrem ao discente que o conhecimento que ele constrΓ³i na sala de aula Γ© aplicΓ‘vel nΓ£o somente para exames e vestibulares, mas na sua vida como todo. Alguns exemplos de atividades que podem favorecer para o protagonismo estudantil sΓ£o os programas e concursos extracurriculares, a realizaΓ§Γ£o de eventos artΓ­sticos culturais, o desenvolvimento de projetos interdisciplinares com aplicaΓ§Γ£o prΓ‘tica, entre outras aΓ§Γ΅es (E14).

A participaΓ§Γ£o nΓ£o Γ© um fenΓ΄meno natural, Γ© algo cultural que pode ser aprendido, incentivado e melhorado (BORDENAVE, 1983). Dessa forma, 0 sucesso da participaΓ§Γ£o dos estudantes Γ© fruto de uma ampla articulaΓ§Γ£o entre todos os envolvidos no contexto de ensino e de aprendizagem. O processo de participaΓ§Γ£o, de escuta e de envolvimento Γ© complexo (BORDENAVE, 1983) e repercute diretamente no modo de visΓ£o de um projeto de sociedade, sendo necessΓ‘rio que os construtores de polΓ­ticas, de planejamento escolar e educacional, de avaliaΓ§Γ£o de polΓ­ticas e de aprendizagem congreguem em suas bases epistemolΓ³gicas a participaΓ§Γ£o como princΓ­pio norteador e dinΓ’mico para o sucesso do paradigma em construΓ§Γ£o.

A vivΓͺncia do PJB na escola repercute nas experiΓͺncias dos envolvidos, tendo diferentes sujeitos que se engajam para o sucesso das propostas. Esse aspecto pode ser observado nos depoimentos dos estudantes, quanto ao papel dos educadores na orientaΓ§Γ£o para o PJB. Desse modo, foi destacado que:

Mesmo nΓ£o tendo sido selecionada, o auxΓ­lio deles foi de suma importΓ’ncia para que eu concluΓ­sse o meu projeto. Tanto em pesquisas, como em revisΓ΅es, dΓΊvidas, estavam sempre dispostos a ajudar (E1).

Sempre nos estimularam a tentar, a fazer as atividades, nos ensinando e direcionando (E2).

Acredito que o fator mais importante tenha sido uma orientaΓ§Γ£o prΓ³xima e individualizada (E3).

Sempre me dando dicas, me ajudando nas correΓ§Γ΅es, indicando material e me motivando (E7)

Oferecendo apoio teΓ³rico, sugerindo melhorias para o projeto e proporcionando oportunidades para que eu pudesse expor minhas ideias e debatΓͺ-las com os professores e com outros participante do PJB (E9).

Oferecendo a oportunidade de debates, instigando o pensamento crΓ­tico, auxiliando desde a diagramaΓ§Γ£o do PL a correΓ§Γ΅es ortogrΓ‘ficas, atravΓ©s de incentivos via WhatsApp, acreditando que Γ©ramos capazes, enfim de todas as formas cabΓ­veis (E13).

A todo momento, eles estiveram auxiliando na produΓ§Γ£o do projeto, alΓ©m de nos incentivarem durante a produΓ§Γ£o (E15).

A participaΓ§Γ£o e o protagonismo sΓ£o como uma via de mΓ£o dupla, isto Γ©, na medida que depende do envolvimento do estudante, tambΓ©m Γ© fruto da dedicaΓ§Γ£o dos professores e gestores para garantir espaΓ§o, tempo e sucesso nas proposiΓ§Γ΅es dos estudantes. Nesse cenΓ‘rio, a atuaΓ§Γ£o de todos Γ© um arranjo polΓ­tico e social, no qual repercutem as aΓ§Γ΅es vivenciadas, isso porque "a gestΓ£o democrΓ‘tica Γ© condiΓ§Γ£o necessΓ‘ria para a autonomia e o protagonismo estudantil" (MARTINS, 2002, p. 22). Na visΓ£o de Campos (2010, p. 111), "o professor cria e recria, inventa e reinventa o processo pedagΓ³gico", com a finalidade de desenvolver uma costura pedagΓ³gica, a qual torne possΓ­vel o sucesso dos estudantes em suas empreitadas.

Cabe destacar que a articulaΓ§Γ£o de todos os entes Γ© o que vai proporcionar uma aprendizagem significativa, fazendo valer os princΓ­pios evidenciados nos dispositivos legais. No processo de desenvolvimento dos projetos, todos sΓ£o importantes e todas as experiΓͺncias vivenciadas anteriormente contribuem para o favorecimento de novas estratΓ©gias que despertam para a visΓ£o polΓ­tica e social dos anseios dos envolvidos. De acordo com LΓΌck (2013), o protagonismo Γ© um princΓ­pio que ancora a gestΓ£o escolar, os profissionais da educaΓ§Γ£o, os estudantes e a comunidade local, logo Γ© pela participaΓ§Γ£o que se entende o desenvolvimento crΓ­tico, polΓ­tico e social para a construΓ§Γ£o da formaΓ§Γ£o integral dos estudantes.

Em meio a essa dinamicidade, os estudantes que conseguiram alcanΓ§ar a ΓΊltima etapa do PJB revelaram que:

Foi de total importΓ’ncia nΓ£o somente para ganho de conhecimento, mas tambΓ©m pessoal. Aprender mais sobre a polΓ­tica, e tambΓ©m lutar pelos nossos direitos como cidadΓ£o (E2).

Uma relevΓ’ncia imensurΓ‘vel. Conhecer e atuar como um agente transformador do paΓ­s Γ© exercer, de fato, sua cidadania (E8).

A me tornar mais comunicativa, socialmente uma cidadΓ£ que se preocupa com a sociedade (E11).

Essa experiΓͺncia contribuiu de forma bastante significativa para minha formaΓ§Γ£o cidadΓ£, polΓ­tica e social, uma vez que pude entender na prΓ‘tica a rotina de um Deputado Federal, sua importΓ’ncia para sociedade e compreender como funciona todo o processo legislativo. AlΓ©m disso, o PJB permitiu a convivΓͺncia com jovens de todos os estados brasileiros de diferentes culturas e regiΓ΅es. E o mais interessante Γ© que cada um deles tinha uma proposta de melhoria para o Brasil. Sem dΓΊvidas, esse programa Γ© essencial para o processo democrΓ‘tico brasileiro, jΓ‘ que aproxima e amplia a visΓ£o do estudante sobre a polΓ­tica brasileira (E14).

Eu tive uma experiΓͺncia incrΓ­vel, evolui as minhas ideias sobre o que Γ© polΓ­tica. Firmei novos conceitos e destruΓ­ preconceitos. Conheci o Brasil inteiro em ΓΊnico lugar e me apaixonei por ele. Percebi que a educaΓ§Γ£o precisava de mudanΓ§as e com o incentivo dos meus professores eu tive a coragem de seguir carreira em um curso de licenciatura (E15).

Por meio do exposto pelos estudantes, podese notar a relevΓ’ncia da participaΓ§Γ£o na ΓΊltima etapa do PJB, uma vez que, nessa realizaΓ§Γ£o, hΓ‘ uma congregaΓ§Γ£o de saberes, de culturas e de experiΓͺncias que enriquece os olhares e as sistematizaΓ§Γ΅es da compreensΓ£o de mundo e de polΓ­tica. A atuaΓ§Γ£o como um deputado jovem favorece a percepΓ§Γ£o dos problemas polΓ­tico, social, econΓ΄mico, assim como salienta a responsabilidade coletiva dos anseios para a construΓ§Γ£o de um paΓ­s melhor.

Com os depoimentos apresentados, foi possΓ­vel notar que o PJB cumpre com as expectativas dos estudantes, permitindo-lhes uma experiΓͺncia enriquecedora e favorecendo-lhes a formaΓ§Γ£o de mΓΊltiplos aspectos da cidadania. Nesse constructo, "participar Γ© algo polΓ­tico, um jogo democrΓ‘tico" (MUNΓ•z, 2004, p. 92), o qual confere espaΓ§o de protagonismo aos jovens, sinalizando o despertar para a vivΓͺncia da polΓ­tica e da construΓ§Γ£o de uma sociedade justa e igualitΓ‘ria. O PJB, desse modo, contribui com a efetivaΓ§Γ£o da democracia brasileira, com a participaΓ§Γ£o na escola, comungando com a necessidade de aΓ§Γ΅es como essas nas distintas experiΓͺncias no chΓ£o da escola.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Programa Parlamento Jovem Brasileiro tem a finalidade de contribuir e incentivar politicamente os jovens Γ  participaΓ§Γ£o nos debates e nos processos democrΓ‘ticos. O Programa favorece a participaΓ§Γ£o dos jovens na polΓ­tica, dando voz e vez com a finalidade de que possam refletir e discutir sobre os dilemas polΓ­ticos e sociais. Com base no exposto, a participaΓ§Γ£o e o protagonismo sΓ£o ferramentas para o desenvolvimento da plena cidadania e o PJB contribui em diversos aspectos para o alcance desse mΓ©rito, sendo destaque a conscientizaΓ§Γ£o quanto ao seu lugar no espaΓ§o social.

As vozes dos profissionais da escola e dos estudantes revelaram a importΓ’ncia de projetos como o PJB, mostrando que o Programa agregou valores e habilidades aos envolvidos. Ele, juntamente com todas as aΓ§Γ΅es desenvolvidas no chΓ£o da escola, possibilitou aos estudantes a oportunidade de serem protagonistas de suas prΓ³prias histΓ³rias e ideias, bem como vivenciar aspectos inerentes ao processo de cidadania. As aΓ§Γ΅es realizadas na escola para a implementaΓ§Γ£o do PJB favoreceram o protagonismo dos estudantes, apesar da complexidade do processo, como foi possΓ­vel observar nos depoimentos.

Os depoimentos dos envolvidos revelaram que as aΓ§Γ΅es e os esforΓ§os da escola vΓ£o ao encontro aos anseios dos estudantes. A conjuntura pedagΓ³gica e profissional da instituiΓ§Γ£o faz valer a necessidade de participaΓ§Γ£o dos estudantes, proporcionando condiΓ§Γ΅es para o sucesso da participaΓ§Γ£o e do engajamento juvenil. Nas leis que regulam o ato educativo, no Γ’mbito da educaΓ§Γ£o formal, o protagonismo estudantil ganhou um significativo espaΓ§o, no entanto, na prΓ‘tica, o fΓ΄lego dos estudantes e dos profissionais Γ© tomado pelas inΓΊmeras burocracias, especialmente as cobranΓ§as governamentais. Contudo, programas como o PJB sΓ£o saΓ­das que permitem vislumbrar a possibilidade de prΓ‘ticas pedagΓ³gicas que propiciam a vivΓͺncia plena do processo escolar e juvenil, na condiΓ§Γ£o de protagonista.

Com base nos resultados apresentados, fica evidenciada a necessidade de engajamento das diferentes esferas sociais para a promoΓ§Γ£o de um aprendizado significativo. As prΓ‘ticas pedagΓ³gicas no chΓ£o da escola devem possibilitar o protagonismo dos estudantes e, por sua vez, devem ser apoiadas e incentivadas por entidades polΓ­ticas e sociais. A articulaΓ§Γ£o entre essas esferas pode contribuir para a construΓ§Γ£o de um projeto de sociedade igualitΓ‘rio e participativo.

Por fim, salienta-se a necessidade de incentivo a programas e projetos que favoreΓ§am a articulaΓ§Γ£o com os saberes das escolas e dos diferentes segmentos que a compΓ΅em, possibilitando que os estudantes tornem-se protagonistas de aΓ§Γ΅es sociais, articulando os saberes, as prΓ‘ticas e as ideias escolares com a polΓ­tica, com a finalidade de incentivΓ‘- los a envolverem-se com os dilemas sociais e polΓ­ticos, como papel da escola e dos princΓ­pios educacionais. As polΓ­ticas educacionais sΓ£o possΓ­veis caminhos para a construΓ§Γ£o de novas estratΓ©gias que congreguem os anseios sinalizados, basta perceber a importΓ’ncia das prΓ‘ticas que acontecem no chΓ£o da escola para dinamizar as polΓ­ticas, orientando-as como itinerΓ‘rios formativos. Eis, portanto, o desafio!

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How to Cite This Article

Marco Antonio. 2026. "The Brazilian Young Parliament Program and its Possibilities for Student Protagonism". Global Journal of Human-Social Science - F: Political Science GJHSS-F Volume 22 (GJHSS Volume 22 Issue F7).

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Brazilian youth parliament program and research opportunities in social sciences.
Journal Specifications

Crossref Journal DOI 10.17406/GJHSS

Print ISSN 0975-587X

e-ISSN 2249-460X

Keywords
Classification
GJHSS-F Classification DDC Code: 342.71085 LCC Code: KE4381.5
Version of record

v1.2

Issue date
December 13, 2022

Language
Portuguese
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