I. INTRODUÇÃO
pós a reabilitação com implantes dentários, espera-se que a osseointegração proporcione estabilidade funcional, Iongevidade do tratamento e resultados estéticos satisfatórios. Contudo, complicações biológicas como a peri-implantite, uma inflamação dos tecidos peri-implantares associada à perda óssea progressiva, têm se tornado uma das principais causas de falhas tardias em implantes osseointegrados (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7). Clinicamente, a peri-implantite compartilha características com a periodontite, como sangramento à sondagem (BOP), supuração, aumento da profundidade de sondagem (PD) e reabsorção óssea em torno do implante (1) (2) (5) (6) (8) (7).
A etiologia dessa condição é multifatorial e inclui aspectos como higiene oral inadequada, tabagismo, histórico de periodontite, sobrecarga oclusal e presença de biofilme bacteriano nas superfícies implantossuportadas (1) (6) (7). Assim, o controle microbiano efetivo torna-se um fator essencial no tratamento da peri-implantite, visando a preservação da estrutura óssea e o prolongamento da vida útil do implante (1) (2) (4) (6) (9).
Nesse contexto, a terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) surge como uma alternativa minimamente invasiva e promissora (4) (6) (7) (10) (11) (12). Trata-se de uma técnica que combina a aplicação de um corante fotossensível com a irradiação por luz com comprimento de onda específico, resultando na produção de espécies reativas de oxigênio capazes de destruir seletivamente microrganismos patogênicos (1) (3) (6). A aPDT vem sendo estudada como tratamento adjunto ou complementar em casos de peri-implantite, com resultados promissores na redução do biofilme e na inflamação tecidual (13) (12) (3) (9) (1) (4) (5) (8) (14).
A ativação fotodinâmica atua de forma localizada, sem causar efeitos adversos aos tecidos adjacentes, sendo eficaz contra bactérias resistentes e biofilmes maduros (9) (1) (4) (15) (7) (16), além de não induzir resistência microbiana como os antibióticos tradicionais (17) (10) (2) (3) (4) (18) (5) (19) (14). Por esse motivo, a aPDT tem despertado crescente interesse em pesquisas voltadas para a terapêutica peri-implantar (11) (10) (13) (20) (2) (3) (1) (4) (18) (6) (15) (19) (8) (7) (16) (21).
Dessa forma, o objetivo desta revisão de literatura integrativa foi investigar, discutir e analisar a eficácia da aPDT no tratamento da peri-implantite, considerando seus mecanismos de ação, protocolos clínicos utilizados e os desfechos microbiológicos e clínicos observados.
II. METODOLOGIA
Esta pesquisa analisou de forma qualitativa a eficácia da aPDT no tratamento da peri-implantite. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed (National Library of Medicine), SciELO (Scientific Eletronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e pelo endereço eletrônico scholar.google.com.br, entre os anos de 2020 a 2025, utilizando os seguintes descritores, em inglês e português, associados aos operadores booleanos, resultando nas duas estratégias de busca: (peri-implantite OR inflamação peri-implantar OR doença peri-implantar OR infecção peri-implantar) AND (terapia fotodinâmica antimicrobiana OR aPDT) AND (implante dental OR implantodontia OR implante) é (peri-implantitis OR peri-implant inflammation OR periimplant disease OR peri-implant infection) AND (antimicrobial photodynamic therapy OR aPDT) AND (dental implant OR implant dentistry OR implant).
Os títulos e os resumos de todos os artigos encontrados nas buscas foram analisados com base nos critérios de inclusão, identificando os artigos que relatavam investigar os efeitos da aPDT sobre os tecidos peri-implantares, abordando seus mecanismo de ação, protocolos utilizados e os principais resultados microbiológicos e clínicos relevantes ao tratamento da peri-implantite. Foram incluídos artigos completos, publicados entre os anos de 2020 a 2025, que abordavam diretamente o uso da aPDT como intervenção terapêutica para peri-implantite. Foram excluídos artigos publicados fora do período delimitado, teses, monografias, dissertações, livros, artigos incompletos ou que não apresentassem relação direta com o objetivo da pesquisa.
III. RESUlTadOS E DISCUssÃo
Após a aplicação dos descritores nas bases de dados selecionadas, foram encontrados 24 artigos. Destes, foram incluídos na presente análise aqueles que abordavam o uso da aPDT como estratégias adjuvantes para o controle inflamatório e regeneração tecidual em casos de peri-implantite.
A análise dos estudos selecionados nesta revisão evidencia que a aPDT tem se destacado como uma abordagem promissora e complementar ao desbridamento mecânico (DM) no tratamento da periimplantite. Diversos ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas reforçam sua eficácia na melhora dos parâmetros clínicos, microbiológicos e imunológicos, especialmente em populações com fatores de risco como diabetes, tabagismo ou uso de narguilé (17) (10) (3) (8) (6).
A associação da aPDT com o DM demonstrou reduções significativas no BOP, PD e índice de placa (P) em diferentes grupos populacionais, inclusive diabéticos tipo 2 (17) e usuários de produtos à base de nicotina (23) (19) (8). No estudo de Afrasiabi et al. (2023) observou-se redução significativa no BOP após 6 meses ; ) e no Pl aos 3 meses ; ), embora a redução no PD não tenha alcançado significância estatística 3.13; . De forma consistente, AlMubarak (2025) relatou que, em usuários habituais de nicotina, a aPDT promoveu reduções significativas no PD, Pl e BOP em todos os estudos avaliados.
A metanálise conduzida por Fonseca et al. (2024), mostrou melhora clínica significativa com redução do PD quando a aPDT foi utilizada como adjuvante (3), resultado semelhante ao encontrado por Bahrami et al. (2024) (2) e Patil et al. (2023) (5), que também destacaram a diminuição dos níveis inflamatórios, como IL-6 e TNF-α.
No tocante aos desfechos microbiológicos, a aPDT mostrou-se eficaz na redução de patógenos como Porphyromonas gingivalis, Aggregatibacter actinomycetemcomitans e Prevotella intermedia, tanto em estudos clínicos quanto laboratoriais (9) (21) (24) (6). (15). Segundo Fraga et al. (2018), observou-se uma diminuição estatisticamente significativa na contagem de Porphyromonas gingivalis , Aggregatibacter actinomycetemcomitans e Prevotella intermedia , reforçandoo potencial da terapia como adjuvante no controle da infecção peri-implantar. Adicionalmente, estudos demonstraram redução da colonização subgengival por leveduras em pacientes com mucosite peri-implantar após uma única sessão de aPDT (16).
Apesar dos resultados positivos, algumas limitações devem ser consideradas. A heterogeneidade metodológica, principalmente no número de sessões, entre uma e quatro aplicações, nos fotossensibilizadores utilizados, como azul de metileno e toluidina azul, e nos comprimentos de onda variando entre 635 e 810 nm, torna difícil a padronização de um protocolo terapêutico ideal (4) (24) (14) (20). Enquanto Lähteenmäki et al. (2022) utilizaram duas sessões com intervalo semanal, Ali et al. (2024) optaram por quatro sessões semanais consecutivas, evidenciando a falta de consenso quanto à frequência ideal de aplicação da aPDT. Ainda assim, as evidências sugerem que sessões únicas ou repetidas podem reduzir de forma significativa a inflamação e a carga microbiana sem efeitos colaterais relevantes (18) (1 (12) (13) (11).
Estudos anteriores que analisaram os efeitos do laser na osseointegração também sugeriram benefícios significativos na modulação inflamatória, estimulação celular e deposição de matriz mineralizada (25), reforçando o potencial terapêutico complementar da aPDT na regeneração tecidual peri-implantar.
Zhao et al. (2022) realizaram uma metanálise com fumantes, observando redução estatisticamente significativa em PD e PI com o uso da aPDT combinada ao DM, confirmando sua superioridade ao tratamento convencional isolado(19). De forma similar, Al-Hamoudi (2023) relatou melhora clínica e redução dos níveis de RANK-L em usuários de narguilé, sugerindo benefício adicional da aPDT também sobre biomarcadores de reabsorção óssea(8).
Alguns estudos avaliaram a aplicação domiciliar da aPDT com uso de dispositivos de luz dupla, observando melhorias no controle do biofilme e marcadores inflamatórios (24), o que abre perspectivas para sua incorporação como ferramenta auxiliar na manutenção da saúde peri-implantar.
Adicionalmente, a aPDT demonstrou benefícios comparáveis ou superiores aos antibióticos locais, com a vantagem de não induzir resistência bacteriana (14). Este achado reforça seu potencial como alternativa segura em um cenário de crescente preocupação com resistência antimicrobiana.
Embora mais estudos clínicos bem delineados e de longo prazo sejam necessários para consolidar protocolos e ampliar a aplicabilidade da técnica, os achados da presente revisão sustentam o uso da aPDT como terapia adjuvante eficaz, segura e promissora no manejo da peri-implantite.
IV. CONCLUSÃO
O estudo demonstrou que a utilização da aPDT apresenta um impacto positivo no controle inflamatório e microbiológico da peri-implantite, além de contribuir para a preservação dos tecidos peri-implantares e o sucesso clínico dos implantes dentários. No entanto, deve ser considerado um viés devido ao número limitado de estudos clínicos e à ausência de um protocolo terapêutico padronizado. Mais pesquisas devem ser realizadas para confirmar a eficácia da aPDT em termos de estabilidade dos tecidos peri-implantares e manutenção longitudinal da osseointegração, consolidando sua aplicação segura e reprodutível na implantodontia.